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Arq.Futuro se volta para o desafio de cuidar da água

Fórum sobre arquitetura e urbanismo realizado no início do mês em Piracicaba discutiu importância de ações conjuntas entre poder público, sociedade civil e setor privado. Tema continua em pauta em encontro a ser realizado em setembro

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h10 - Publicado em 16 ago 2014, 15h07
Vista da represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, que está 8 metros abaixo do seu nível de vazão devido à falta de chuvas
Arq.Futuro

A escassez de água é um dos principais desafios ambientais da atualidade. É de extrema pertinência abordar o assunto neste momento de crise – o Sistema Cantareira, em São Paulo, por exemplo, enfrenta a pior seca dos últimos 84 anos. Foi o que fizeram no começo o mês, em Piracicaba, no interior de São Paulo, especialistas reunidos no Arq.Futuro, o principal fórum sobre arquitetura e urbanismo realizado no Brasil.

Entre os dias 4 e 5 de agosto, políticos, empresários, arquitetos, engenheiros e outros profissionais discutiram formas de uma cidade lidar com a água e enfrentar problemas como o desperdício e a poluição. “A cidade e a água”, o tema escolhido para essa edição do Arq.Futuro, que acontece desde 2011, ajuda a explicar a escolha da sede. Piracicaba é um bom exemplo de como um trabalho a longo prazo foi capaz de atingir 100% de saneamento básico e despoluir o rio do município.

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A água já havia sido definida como o assunto do encontro há mais de um ano. “Quando decidimos discutir a água, considerávamos a questão como um problema estrutural grave que afeta o mundo todo. Nós vamos precisar reduzir o uso de água, a reutilização, o desperdício. E esses pontos devem ser debatidos”, diz Marisa Moreira Salles, que fundou o Arq. Futuro com seu sócio Tomas Alvim.

As discussões propostas em Piracicaba não tiveram a pretensão de definir qual é a solução para o problema da crise hídrica atual, mas sim apontaram para possíveis caminhos. O principal deles talvez seja reunir e alinhar as ações nesse sentido do poder público, dos cidadãos e do setor privado. “Enquanto essas três instâncias não quebrarem os seus preconceitos e não se sentarem à mesa para debater, não haverá transformação”, afirma Marisa.

“Abordar essa questão foi o diferencial do Arq.Futuro em Piracicaba, pois o evento reuniu visões diferentes e conseguiu fazer essa ponte entre os três setores”, diz Weber Amaral, engenheiro e professor da Escola Superior de Agricultura da USP (Esalq).

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Cultura enraizada – Um ponto amplamente discutido pelos participantes do evento foi a necessidade de o brasileiro mudar alguns hábitos e percepções que têm em relação à água. “Fomos educados de forma a acreditar que o Brasil tem água em abundância e que ela nunca faltaria para nós”, diz Marisa.

Durante o debate “Recurso hídrico: como e onde investir”, o economista Gesner Oliveira, que foi presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, lembrou que alguns livros que leu durante a faculdade se referiam à água como um bem livre. “É realmente um absurdo. É para termos uma ideia da mudança cultural que precisa ocorrer e de que o valor da água que precisa ser repensado”, disse.

Outro caminho apontado pelos debates é o da tecnologia, tema da mesa que encerrou o evento em Piracicaba. Nela, especialistas deram exemplos de como coletar, disponibilizar e compartilhar informações de todos os tipos contribui para a vida na cidade – tanto dados relacionados à mobilidade urbana quanto à qualidade do ar e da água, por exemplo. “Se a população tem acesso a informações transparentes sobre uma bacia hidrográfica, como qual é a sua vazão que está usando a água, toda a discussão sobre o assunto se torna mais democrática, mais técnica e menos política”, diz Weber Amaral.

Um último ponto que mereceu destaque no evento, enfim, foi o fato de que o combate ao problema da falta de água precisa ser feito a longo prazo. “Esse não deve ser um trabalho de apenas um partido político, mas sim uma ação séria que precisa ter continuidade, independentemente de quem está no governo de determinada cidade ou Estado”, diz Marisa.

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As discussões sobre a água vão continuar no próximo ciclo de debates do Arq.Futuro, que acontecerá na cidade de São Paulo em 23 e 24 de setembro. “Essa é uma discussão muito importante que precisa ser levada para frente. Não podemos nos esquecer dela caso chova amanhã e os nossos reservatórios voltarem a encher”, afirma Marisa.

http://videos.abril.com.br/veja/id/eaf30afd3586447c57efe9cf0cd4176d
1 – Recurso hídrico: como e onde investir

Gesner Oliveira, especialista pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e presidente da Sabesp entre 2007 e 2010, fala sobre a importância do aproveitamento de resíduos no combate à falta de água.

http://videos.abril.com.br/veja/id/05fa6332f5872647fa6431186ef33573
2 – A Cidade e a Água: soluções pela tecnologia

Discussão entre Giovanni Eldasi, pesquisador associado do Núcleo de Políticas Públicas da USP; Carlo Ratti, engenheiro e professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e Pablo Cerdeira. Diretor do Big Data/Sala de Ideias da Prefeitura do Rio de Janeiro. Os especialistas são questionados sobre se, um dia, a tecnologia ajudará a prever enchentes ou secas.

http://videos.abril.com.br/veja/id/55aaefcbbc01b41e6841a18049871742
3 – Gestão das águas e saneamento básico

Análise de Luiz Roberto Moretti, engenheiro, doutor em hidráulica e saneamento pela USP e secretário-executivo dos Comitês PCJ, sobre a diferença entre o crescimento populacional e a situação das bacias hidrográficas.

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