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Aquecimento global poderá provocar diminuição de parte da população de herbívoros

À medida que temperatura sobe, alguns herbívoros crescem mais rápido que as plantas, tornando o alimento escasso, diz pesquisa. Se isso acontecer, poderá faltar peixe para os seres humanos

O aumento da temperatura no planeta poderá provocar um declínio na população de herbívoros ectotérmicos. Isso afetaria a cadeia alimentar com consequências para os seres humanos. A conclusão é de um estudo realizado na Universidade de Toronto, Canadá. O artigo foi publicado no periódico American Naturalist.

A equipe de ecologistas descreve como a mudança de temperatura afeta o metabolismo de herbívoros ectotérmicos e plantas, causando uma redução previsível no número de indivíduos. O declínio ocorreria porque, em altas temperaturas, esses herbívoros crescem mais rápido do que plantas, o que resultaria na falta de comida.

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ANIMAIS ECTOTÉRMICOS

São os animais que têm a temperatura do corpo controlada pelo ambiente externo. No estudo canadense, são considerados apenas os herbívoros que possuem essa característica. No mar, a maior parte dos peixes e o fitoplâncton. Em terra, insetos herbívoros.

FITOPLÂNCTON

Conjunto de organismos aquáticos e microscópicos que têm capacidade de realizar fotossíntese (transformar a luz do Sol em energia) e que vivem dispersos flutuando nos mares. Bactérias e algas microscópicas fazem parte do grupo. O fitoplâncton serve de alimento para o zooplâncton.

ZOOPLÂNCTON

O zooplâncton é composto por organismos que não realizam fotossíntese (animais microscópicos, em sua maioria) e vivem na água (marinha ou doce), com locomoção limitada – apesar de que vários organismos, como microcrustáceos, podem se movimentar extensivamente.

Muitos estudos já mostraram como o metabolismos de plantas e organismos ectotérmicos muda com a temperatura. A equipe de Benjamin Gilbert, coautor da pesquisa, incorporou essas mudanças em modelos matemáticos conhecidos de plantas e herbívoros para prever como a abundância de cada um seria alterada com o aquecimento global.

Depois disso, as previsões foram comparadas com os resultados de um estudo experimental. Nele, os pesquisadores verificaram que populações de fitoplâncton e zooplâncton em tanques de água eram alteradas com mudanças na temperatura. À medida que a temperatura subia, a população do zooplanctôn crescia mais rápido que a do fitoplâncton e o alimento ficava escasso, provocando a diminuição de indivíduos do zooplâncton.

De acordo com Gilbert, o estudo se dedicou ao fitoplâncton e ao zooplâncton porque o efeito da água nesses organismos é bem conhecido pelos cientistas. “Em terra, é possível que os mesmos efeitos sejam observados em insetos herbívoros em regiões tropicais”, disse em entrevista ao site de VEJA.

“Se as temperaturas mais quentes diminuírem o zooplancton no oceano, como previsto em nosso estudo, isso levará a menor quantidade de comida disponível nos mares e, como consequência, menos comida para humanos”, disse Gilbert.

Gilber afirma que são necessários estudos de longo prazo. “Contudo, caso as previsões estejam corretas, o aquecimento global causará grandes alterações nas cadeias alimentares, com consequências na quantidade de comida e conservação das espécies”, disse.