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Animais diurnos adotam hábitos noturnos devido ao homem, diz estudo

Pesquisa indicou uma intensa “pegada humana” nas vidas de espécies de continentes e habitats diferentes

Por Sabrina Brito 14 jun 2018, 15h22

Um novo estudo publicado hoje (14) na prestigiada revista ”Science” explorou a influência da atividade humana nos hábitos de outros animais. A pesquisa, encabeçada por Kaitlyn Gaynor, cientista da Universidade da Califórnia em Berkeley, se baseou em uma análise de outros 76 trabalhos, que tinham como objeto de investigação 62 espécies de mamíferos de todos os 6 continentes. O resultado encontrado foi que muitas delas trocaram suas vidas diurnas pela noite, em uma tentativa de evitar o contato com pessoas.

Durante a examinação, foram utilizadas armadilhas fotográficas (câmeras remotamente acionadas e munidas de sensores), telemetria (uma forma de monitoramento à distância) e a observação direta dos animais para chegar às conclusões finais. Assim, puderam analisar o comportamento dos seres que pretendiam estudar, e notar as alterações pelas quais eles passaram. Antas, lêmures, ursos e elefantes estão entre as espécies analisadas.

Várias formas distintas de atividade humana em um determinado ambiente foram consideradas, como caça, caminhadas e desenvolvimento urbano. Ao final do trabalho dos cientistas, todos esses tipos de presença do homem foram considerados suficientes para fazer com que outros mamíferos mudassem seus hábitos. Ou seja, esse fenômeno pode acontecer ainda que a atividade dos seres humanos naquele local não seja de fato ameaçadora ou predatória.

Os pesquisadores observaram algumas outras maneiras que os animais usam para responder à nossa presença. Algumas espécies, em face da proximidade com seres humanos, mudaram a velocidade com que se locomovem à noite. Outras adotaram caminhos mais tortuosos. Houve, ainda, aquelas que se tornaram mais vigilantes.

O ambiente, ao longo dos anos, selecionou as espécies melhor adaptadas aos hábitos diurnos para sobreviver e se reproduzir naquele lugar. Mudando seu tipo de vida, esses animais podem ter que alterar drasticamente a sua dieta, seu modo de se orientar, seus costumes reprodutivos, suas formas de escapar de predadores e muitos outros fatores comportamentais para se ajustar ao mundo noturno. Essa alteração nos hábitos dos mamíferos estudados pode causar grandes mudanças no ecossistema, uma vez que certos animais passariam a caçar à noite, acasalar à noite, e assim por diante.

Tudo isso indica a existência de uma “pegada humana” (ou seja, um conjunto de impactos geralmente negativos resultantes da ação de seres humanos) na natureza ainda mais perigosa do que se pensava. Assim, torna-se essencial que nos atentemos ainda mais à maneira como a nossa simples presença já afeta o ecossistema, trazendo a clara necessidade de mais estudos para nos guiar em relação a como diminuir essa pegada e mitigar o nosso efeito negativo sobre o meio.

 

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