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Amazônia está virando emissora de dióxido de carbono

Crescimento populacional e desmatamento são os principais responsáveis pelas emissões, segundo artigo publicado na revista 'Nature'

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h48 - Publicado em 19 jan 2012, 11h50

A bacia amazônica, tradicionalmente considerada uma aliada contra o aquecimento global, pode estar se tornando um contribuinte-chave de emissões de dióxido de carbono (CO2), alertam cientistas em artigo publicado na revista Nature. Segundo a equipe de pesquisadores chefiada por Eric Davidson, do Centro de Pesquisas Woods Hole (WHRC), em Massachusetts, a Amazônia está “em transição” em consequência da atividade humana.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The Amazon basin in transition

Onde foi divulgada: revista Nature

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Quem fez: Eric A. Davidson e colaboradores

Instituição: Woods Hole Research Center

Resultado: Apesar da bacia amazônica possuir uma grande capacidade de reestabelecer seu equilíbrio e se recuperar de períodos de seca, o desmatamento e outras atividades humanas estão alterando os ciclos de água da região, com consequências importantes para o futuro.

Ao longo de 50 anos, a região experimento um crescimento demográfico – de 6 para 25 milhões de habitantes – e um avanço do desmatamento para a exploração de madeira de corte e a agricultura. Com isso, dizem os cientistas, o balanço de carbono da Amazônia – quantidade de dióxido de carbono que é liberada ou retirada da atmosfera – começou a mudar, embora ainda seja difícil fazer uma estimativa precisa.

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Equação – “O desmatamento alterou o balanço da bacia de um possível sumidouro de carbono, no final do século XX, para uma fonte emissora”, afirmam os cientistas no artigo.

Florestas maduras, como a amazônica, são fatores importantes na equação do aquecimento global. Suas árvores retiram CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese. Mas esse dióxido de carbono é devolvido quando as árvores apodrecem ou são queimadas. A floresta, que sempre consumiu muito CO2, pode estar consumindo muito menos, ou até liberando mais do que sugando.

O artigo calcula que a biomassa da Amazônia contenha colossais 100 bilhões de toneladas de carbono, o equivalente a mais de 10 anos de emissões globais de combustíveis fósseis. Desencadeador de mudanças no clima, o aquecimento global pode liberar parte deste estoque, alertaram.

“Grande parte da floresta amazônica é capaz de resistir a um período de seca moderada e reestabelecer seu equilíbrio. Mas esta capacidade já foi alterada por períodos mais severos de seca, e há um risco de perda de carbono se a estiagem se agravar”, diz o artigo.

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Os cientistas já apontam secas extremas nas bacias do Tocantins e do Araguaia, cujos rios drenam a região do Cerrado. “Onde o desmatamento é extenso, a duração da estação seca está se alongando”, alertam os pesquisadores.

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(Com informações da agência France Presse)

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