Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

A Lua cheia pode causar grandes terremotos?

De acordo com novo estudo, eventos sísmicos de grande magnitude têm maior probabilidade de ocorrer durante a Lua cheia e a Lua nova

Por Da redação 13 set 2016, 13h59

A discussão científica sobre a influência da Lua e das marés em grandes terremotos é antiga. Estudos desde o fim do século XIX analisam se a força gravitacional que causa as marés quando a Lua e o Sol estão alinhados não teria efeitos também em abalos sísmicos de grande impacto. Uma nova análise, publicada na segunda-feira no periódico Nature Geosciente, parece ter trazido as primeiras conclusões do debate. Grandes terremotos, como os que atingiram o Chile em 2010 e o Japão, em 2011, têm maior probabilidade de acontecer durante o período da Lua cheia e da Lua nova, afirma o estudo. Com esse conhecimento, os pesquisadores esperam conseguir prever com maior precisão os grandes tremores.

Leia também:
‘Superlua’ aumenta teoria apocalíptica na internet
Como a Lua surgiu? Novo estudo pode acabar com o mistério

A Lua e os terremotos

As marés, que são criadas pela interferência gravitacional da Lua e do Sol em nosso planeta, causam uma “tensão” a mais sobre as falhas geológicas do interior da Terra. Durante décadas, os pesquisadores especularam se essas forças poderiam causar abalos na crosta. A hipótese é que, com o aumento do “stress” nas fraturas, pequenos abalos poderiam evoluir até se tornarem grandes rupturas.

Para tentar decifrar a questão, Satoshi Ide, professor da Universidade de Tóquio, no Japão, liderou uma equipe de pesquisadores que examinou grandes tremores de terra – de magnitude 5,5 ou superior – em todo o mundo, durante as duas últimas décadas. O time calculou também a força gravitacional nas duas semanas anteriores a cada tremor. O cruzamento das informações revelou que os maiores terremotos haviam ocorrido muito perto do momento em que as marés estavam mais fortes – ou seja, nos períodos de Lua cheia e Lua nova, quando o Sol, a Lua e a Terra estão alinhados.

Os pesquisadores descobriram que, se um abalo de magnitude de 5,5 começar durante esses períodos é mais provável que cresça para um terremoto de magnitude 8 ou mais.

A relação foi vista no terremoto de 26 de dezembro de 2004, em Sumatra, que devastou uma grande faixa da ilha e causou um tsunami na Ásia que matou cerca de 220.000 pessoas; e no tremor de 9,0 graus de magnitude na ilha de Honshu do Japão, em 2011, que deixou cerca de 19.000 mortos e afetou a usina nuclear de Fukushima.

“Essa é uma maneira inovadora de abordar essa questão debatida por tanto tempo. O estudo nos dá algumas pistas sobre a possível relação entre a tensão das marés e a ocorrência de grandes terremotos”, afirmou Honn Kao, cientista do Geological Survey do Canadá, ao site da revista Nature.

De acordo com os cientistas, há ainda vários outros fatores que influenciam os abalos sísmicos, mas as descobertas poderão ser usadas para melhorar os serviços de previsão dos grandes tremores que atingem o planeta.

Continua após a publicidade
Publicidade