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À beira da extinção, ave saíra apunhalada tem rara chance de se recuperar na natureza

Só falta a assinatura do governador Paulo Hartung (PMDB) para ser criada a reserva ambiental que protegeria os 50 pássaros sobreviventes da espécie, hoje ilhados na região serrana do Espírito Santo

A saíra apunhalada (o nome faz referência à mancha vermelha no peito do pássaro, que se assemelha a uma “punhalada”) é uma ave simpática de dez centímetros, com plumagem branca e cinza. A alcunha, que na origem só fazia referência ao visual da espécie, agora serve bem como indicação simbólica do perigo pelo qual passa a saíra: estimativas indicam que só existem 50 delas na natureza. Para protegê-la, ONGs e órgãos ambientalistas do governo lutam para que seja criada uma reserva florestal de 5 mil hectares na região serrana capixaba.

A saíra apunhalada vive em bandos e se alimenta de pequenos insetos e frutos. Ela vive no alto de florestas da Mata Atlântica, e está aí a sua maior fraqueza, já que 90% dessa vegetação foi destruída pelo homem. A ave, que também era encontrada em Minas Gerais, hoje só pode ser vista no Espírito Santo.

“A extinção está associada à destruição secular da Mata Atlântica, porque a espécie só sobrevive em florestas muito bem conservadas”, diz o biólogo Edson Ribeiro Luiz, coordenador de projetos da SAVE Brasil, ONG ligada à Bird Life International, que tem como foco a proteção das aves brasileiras. “Em território capixaba, onde existe apenas um bloco de vegetação preservado, elas tendem a ficar ilhadas.”

Há dez anos, especialistas da SAVE Brasil estudam a situação da ave no país, e há cinco dialogam com o governo do estado sobre a necessidade de se criar uma reserva florestal na área. Os órgãos ambientais estaduais já deram aval à proposta. Entretanto, a área de proteção só sairá do papel quando o governador Paulo Hartung (PMDB) assinar um decreto criando-a.

A luta para proteger a ave ganhou força no mês passado, quando aconteceu no Estado o Avistar, principal evento de observação de pássaros do país. Tendo na saíra apunhalada o seu símbolo, a festa foi o incentivo que faltava para que o Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA) estabelecesse o prazo de março de 2016 para a constituição da reserva. A decisão final, porém, continua nas mãos do governo.

“A ave é um patrimônio dos capixabas, motivo de orgulho, mas também dá força a uma grande responsabilidade. A área de conservação não só protegeria a saíra, como outras espécies de animais e mananciais que alimentam os rios que abastecem áreas importantes do estado, como a capital Vitória”, completou o biólogo Ribeiro Luiz.

Além dos benefícios da preservação, a Secretaria de Estado de Turismo indica que a área de proteção geraria renda, já que cada vez mais a ave atrai turistas, originários principalmente dos Estados Unidos e da Inglaterra, que querem observar os pássaros em seu habitat.