Assine VEJA: informação confiável e exclusiva nas eleições + 4 revistas impressas a partir de R$ 35,90/mês.

A ameaça das grandes constelações de satélites para a astronomia, segundo novo estudo

Com previsões para mais de um milhão de satélites em órbita, Observatório Europeu do Sul alerta que número não deve passar de 100 mil

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 jul 2026, 18h07 | Atualizado em 2 jul 2026, 13h36
A ameaça das grandes constelações de satélites para a astronomia, segundo novo estudo Priorizar nos meus resultados Google

Com o avanço da tecnologia em todos os campos, grandes empresas que dominam o mercado da comunicação por satélite têm cada vez mais divulgado seus planos de tornarem o espaço ao redor do planeta uma grande “constelação” de satélites. Apesar do desejo, os planos podem prejudicar — e muito — a astronomia, caso tornem-se verdade. Esse resultado vem de um recente estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO), que publicou um alerta nesta quarta-feira, 1. Segundo eles, o número destes dispositivos no céu não deveria ultrapassar os 100 mil. 

O estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, é pioneiro ao avaliar as consequências que constelações gigantes e de brilho extremo teriam nas observações astronômicas, já que com o aumento dessas máquinas “voadoras”, o céu noturno poderia ser clareado, além de gerarem possíveis reações para a saúde da humanidade e para o meio ambiente. 

O número de satélites tem crescido de forma rápida nos últimos anos. A SpaceX, empresa de exploração espacial do bilionário Elon Musk, já conta com cerca de 14 mil dessas máquinas, a maioria para o funcionamento efetivo dos aparelhos da Starlink, companhia também do bilionário que promove internet rápida de alta velocidade. Apesar do “baixo” número atual, o futuro para a astronomia pode ser assustador: Musk pretende colocar em órbita um milhão de satélites adicionais, destinados a datacenters espaciais. 

Duas imagens circulares em preto e branco do céu noturno. À esquerda, a Via Láctea é visível como uma faixa brilhante de estrelas. À direita, o céu é mais claro, com menos estrelas visíveis, indicando poluição luminosa. Ambas as imagens têm bordas superiores irregulares, sugerindo obstruções.
Diferença esperada na observação astronômica, com adição dos satélites da Reflect Orbital (ESO/Divulgação)
Continua após a publicidade

A Starlink não é a única. Empresas como a E-Space, a Reflect Orbital e as constelações chinesas CTC-1 e CTC-2 já contam com adicionar centenas de milhares de satélites. Só a Reflect Orbital quer adicionar 50 mil satélites até 2035, todos similares a espelhos, que refletem luz solar em áreas específicas por razões diversas, de resgates à energia. 

“Quando um satélite passa diante daquilo que estamos observando, deixa uma esteira luminosa na nossa imagem, ocultando tudo o que está atrás”, explica Olivier Hainaut, astrônomo do ESO e autor do estudo. “Há alguns anos, isto ocorre diariamente, mas ainda é suportável. No entanto, se passarmos de 14 mil para 1,7 milhão de satélites, realmente vamos ter problemas”, declarou o pesquisador à AFP, mostrando especial preocupação com aqueles projetados para o brilho extremo.

Continua após a publicidade

Mesmo quando não apontam diretamente para o observador com seus espelhos, a luz dispersa pelos satélites da Reflect Orbital faria com que aparecessem no céu como milhares de Vênus, o famoso astro visível a olho nu, conhecido como “estrela da manhã”. “Seja em Auvergne (na França), no Saara (na África) ou no deserto do Atacama (no Chile), o céu deixaria de ser um céu puro e pareceria com o que se observa nos arredores de uma cidade”, explica o pesquisador.

Para evitar consequências dramáticas para a astronomia terrestre, o estudo sustenta que o número de satélites em órbita deveria se limitar a 100 mil e que estes deveriam ser suficientemente pouco brilhantes para não ficarem visíveis à olho nu quando observados de um lugar escuro.

Continua após a publicidade

A preocupação frente o desastre astronômico levou à organização, em colaboração com a Royal Astronomical Society do Reino Unido e a União Astronômica Internacional, a enviar um informe para a Comissão Federal de Comunicações dos EUA, organismo encarregado de examinar os pedidos de autorização apresentados pela SpaceX e pela Reflect Orbital. 

“Agora, a bola está no campo da FCC e esperamos ver quais decisões vai tomar a respeito destes dois expedientes. Para a astronomia óptica, trata-se de uma ameaça existencial e esperamos que os reguladores compartilhem este ponto de vista”, afirmou, em nota, Betty Kioko, encarregada de assuntos institucionais do ESO.

Continua após a publicidade

“Os astrônomos não têm absolutamente nada contra o uso dos satélites. A questão é como conviver”, ressalta Hainaut, mencionando uma “colaboração razoavelmente boa com os fabricantes de satélite, em particular com a SpaceX”, onde “estão realizando um grande esforço para minimizar o impacto de seus satélites”.

(com AFP)

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).