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Youssef bancou viagem para assessores de senadores

Segundo jornal, doleiro pagou bilhetes aéreos de Brasília para São Paulo. Investigadores creem que viagem tenha se dado para tratar de fundo de pensão

Por Da Redação 9 set 2014, 08h04

O doleiro Alberto Youssef, pivô do bilionário esquema de corrupção desarticulado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, bancou passagens aéreas de Brasília a São Paulo para assessores dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Cícero Lucena (PSDB-PB), informa reportagem desta terça-feira do jornal O Estado de S. Paulo. O nome de Ciro Nogueira foi um dos políticos citados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimento à Polícia Federal. A lista foi revelada em edição de VEJA desta semana.

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Em acordo de delação premiada, Costa acusou uma verdadeira constelação de participar do esquema de corrupção. Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado, Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR). Já no grupo de deputados figuram o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), um dos mais ativos integrantes da bancada do PP na Casa. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, também do PP, é outro citado como destinatário da propina. Da lista de três “governadores” citados pelo ex-diretor, todos os políticos são de Estados onde a Petrobras tem grandes projetos em curso: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo.

Segundo o jornal, que afirma ter obtido acesso ao recibo de compra dos bilhetes aéreos, Mauro Conde Soares, que assessora Nogueira desde o início do mandato do parlamentar, e Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que trabalha com Lucena há oito anos, voaram da capital federal rumo a São Paulo em 4 de janeiro de 2012, tendo voltado no mesmo dia. O boleto foi faturado pela Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, Meire Poza, que ajuda a PF nas investigações sobre o caso.

Soares e Oliveira assessoram os parlamentares justamente na área de Orçamento. Dessa maneira, acompanham a destinação e a liberação de recursos destinados pelos parlamentares a obras e projetos. Procurado pelo jornal, Ciro Nogueira se disse “chocado” com a revelação – e prometeu demitir o funcionário. Soares alegou que viajou sem o conhecimento do senador. Já Lucena não foi localizado pela reportagem.

O assessor de Ciro Nogueira afirma que o grupo de Yousseff tinha interesse no fundo de pensão do Tocantins. Já os investigadores acreditam que os assessores tenham ido a São Paulo para tratar de um fundo de investimentos criado pelo doleiro.

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