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Yeda: mais um escândalo da governadora

Por Da Redação
15 Maio 2009, 21h46

A tucana Yeda Crusius governa o Rio Grande do Sul há 127 semanas, mas nenhuma delas foi tão dura para ela quanto a passada, depois que VEJA revelou a existência de gravações que apontam que sua campanha eleitoral foi abastecida por recursos provenientes de caixa dois. O PT e os demais partidos de oposição redobraram seus esforços para tentar instalar uma CPI na Assembleia Legislativa. Os procuradores eleitorais reabriram as prestações de contas de Yeda e avisaram que requererão uma investigação da Polícia Federal sobre as denúncias de financiamento ilegal. Querem ainda que seu superior, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, analise se Yeda tinha dinheiro suficiente para comprar uma casa em um bairro nobre da capital gaúcha em 2006, num caso que já havia sido arquivado.

A governadora convocou uma entrevista coletiva para desqualificar as pessoas ouvidas pela revista. Também agrediu o mensageiro que lhe trouxe a notícia ruim, ao insinuar que VEJA pagou pelas informações. O problema, para Yeda, é que os indícios de caixa dois continuam aparecendo – e eles merecem ser investigados. Nos áudios, Cavalcante diz que recebeu 200.000 reais da Alliance One, uma fabricante de cigarros.

A contabilidade da campanha tucana não registra a doação, mas a Alliance One enviou a VEJA uma cópia de um recibo oficial emitido pelo PSDB. “Nós até declaramos a doação em nosso Imposto de Renda”, diz o diretor financeiro da empresa, Alexandre Strohschoen. O diretório gaúcho do PSDB justifica a divergência com uma explicação que simplesmente não pode ser verificada. Diz que a doação da Alliance One foi misturada a outras e incorporada a um recibo de 596.000 reais no qual foram incluídos também os recursos fornecidos por outras empresas que não são discriminadas.

Um outro caso ainda mais intrigante transpira da correspondência eletrônica do vice-governador, Paulo Feijó, do DEM, que participou da arrecadação da campanha de Yeda. Depois da eleição, Feijó brigou com a titular e passou a denunciar operações de caixa dois da governadora. Chegou a elaborar um dossiê com os e-mails que trocou com empresários e tucanos durante a eleição. Desse material, sobressaem as negociações para uma doação da Simpala, uma concessionária da GM que não está relacionada os entre doadores oficiais de Yeda.

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Nos e-mails reunidos por Feijó, quem fala em nome da Simpala é o gerente de relações institucionais da GM, Marco Kraemer. Procurado por VEJA, Kraemer confirmou que a correspondência é sua, mas negou seu conteúdo. “Os e-mails são meus, mas jamais intermediei doações”, diz. Não é o que se vê na sequência da correspondência. Em 8 de setembro de 2006, Kraemer escreveu: “Está confirmado… Favor procurar (…) o diretor da Simpala. (…) Farei o possível para estar presente.” No mesmo dia, Feijó enviou a Rubens Bordini, então tesoureiro da campanha de Yeda e hoje vice-presidente do Banrisul, a seguinte mensagem: “recebi R$ 25 000 em cash da simpala (sic)”. Bordini respondeu: “Que sorte que o pacote não estava bem feito e tiveste que reforçá-lo. Agradeço os brindes que são de muito bom gosto e úteis”.

O vice-governador esclarece que os brindes aos quais o tesoureiro se refere são agendas e garrafinhas da academia de ginástica que pertence a Feijó, a Body One. Ele diz que entregou o dinheiro a Bordini dentro de uma mochila da mesma academia. O ex-tesoureiro diz que o PSDB o proíbe de esclarecer assuntos relativos à campanha. Pelo que se vê nas ruas de Porto Alegre, é melhor que o partido reveja essa orientação.

Leia a reportagem completa em VEJA desta semana (na íntegra somente para assinantes).

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