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WikiLeaks publica dois milhões de e-mails de autoridades sírias

Por Nicholas Kamm
5 jul 2012, 11h50

O site Wikileaks anunciou o início da publicação de mais de dois milhões de e-mails de figuras políticas sírias e outras fontes, em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira em Londres.

“Agora, às 11H00 (7H00 de Brasília) de 5 de julho, o WikiLeaks começou a publicar os arquivos da Síria, mais de dois milhões de mensagens eletrônicas de figuras políticas sírias, ministérios e empresas associadas que vão de agosto de 2006 a março de 2012”, afirmou a porta-voz do site, Sarah Harrison.

A porta-voz se recusou a apresentar detalhes sobre o conteúdo das mensagens “até que sejam publicadas” e deu a entender que, por sua amplitude, o processo pode demorar algum tempo.

A organização terá a colaboração de parceiros nos Estados Unidos, Líbano, Egito, Alemanha, França, Itália e Espanha.

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O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirma em um comunicado divulgado da embaixada do Equador, onde está refugiado desde 19 de junho à espera de uma resposta de Quito sobre o pedido de asilo, que o novo material é “embaraçoso”.

“O material é embaraçoso para a Síria, mas também é embaraçoso para os opositores externos da Síria”, afirma o australiano de 41 anos no comunicado.

“Ele não nos ajuda apenas a criticar um grupo ou outro, mas a compreender seus interesses, ações e pensamentos. Somente entendendo o conflito poderemos trazer uma solução”, acrescenta.

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O primeiro documento revela, segundo o WikiLeaks, que a gigante italiana de defesa Finmeccanica tem fornecido equipamentos de comunicação para o regime sírio desde o início do conflito.

O sistema foi proporcionado pela SELEX Elsag, subsidiária da Finmeccanica, informa o documento do WikiLeaks publicado na revista italiana L’Espresso.

O presidente sírio Bashar al-Assad enfrenta desde março 2011 uma revolta popular cada vez mais parecida com uma guerra civil e que provocou 16.500 mortes, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma ONG com sede em Londres.

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O WikiLeaks provocou uma grande indignação do governo dos Estados Unidos depois da publicação de centenas de milhares de documentos secretos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e 250.000 telegramas confidenciais do Departamento de Estado.

O anúncio foi feito um dia depois de a Rússia ter negado um debate com Washington sobre a oferta de asilo para Bashar al-Assad e um dia antes de um encontro em Paris dos “Amigos da Síria”, grupo de países que apoiam ações mais rígidas contra o regime.

De acordo com o WikiLeaks, 2.434.899 e-mails são de ministros sírios, incluindo os das pastas das Relações Exteriores, Finanças e Assuntos Presidenciais. Cerca de 400.000 mensagens estão em árabe e 68.000 em russo.

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Em Beirute, o jornal libanês Al-Akhbar, visto como um aliado do governo de Damasco, informou que “trabalhará com o WikiLeaks nas próximas semanas para divulgar o maior número possível de e-mails que detalhem os movimentos da elite política e econômica da Síria”.

“É um momento delicado na Síria, e é importante mostrar o que é real e o que é inventado”, disse o editor-chefe do Al-Akhbar, Ibrahim al-Amin, na página do jornal na internet.

“No entanto, uma coisa é óbvia: a hipocrisia da política global alcançou um patamar mais alto com as negociações da questão síria”, alega Amin.

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A Rússia informou que não participará na reunião de Paris na sexta-feira, após acusar o Ocidente de tentar distorcer um acordo firmado no último fim de semana, que visa a uma transição política no país.

Por outro lado, Assange permanece na embaixada do Equador para evitar uma extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais contra duas ex-voluntárias do WikiLeaks.

Ele nega as acusações e alega que elas têm motivação política.

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