Vorcaro queria que PF e PGR não deixassem ninguém de baixo fazer ‘sacanagem’
Relatório da Polícia Federal revela rede de influência de dono do Banco Master com Alexandre de Moraes e pagamentos milionários a escritório de sua esposa
Teve o sigilo levantado nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, um relatório de inteligência da Polícia Federal que detalha a rede de influência e monitoramento operada pelo proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. O documento de 218 páginas faz parte das investigações que envolvem o ministro Alexandre de Moraes, sua esposa Viviane de Moraes e o banqueiro, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A análise dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido pela PF, revelou um método sistemático de comunicação: o banqueiro escrevia textos em seu aplicativo de Notas, fazia uma captura de tela e a enviava por WhatsApp.
Nas mensagens que, até então, estavam sob sigilo, Daniel Vorcaro registrou em uma nota no celular, em 30 de outubro de 2025, que havia recebido informações “informais e em confidência” de pessoas do Banco Central de que a instituição estava sob “pressão máxima” para tomar uma medida contra ele. Segundo o banqueiro, a pressão viria da Polícia Federal e do Ministério Público, que estariam alegando que fariam “algo contra mim”.
Na sequência, Vorcaro escreveu que era “importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo para o saco”. Na avaliação da PF, os nomes citados na anotação podem se referir a Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A anotação foi uma das três que Vorcaro registrou no aplicativo Notas e, posteriormente, enviou pelo WhatsApp ao número que estava salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório da PF afirma que as três notas foram analisadas para identificar as pessoas mencionadas e suas possíveis relações com o banqueiro.
Contrato milionário e alteração digital por usuário “Ministro”
O relatório da PF expõe relações financeiras estreitas entre Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em janeiro de 2024, o Banco Master firmou um contrato de prestação de serviços com o escritório dela no valor de 3 milhões de reais mensais.
A perícia da PF identificou, por meio da análise de metadados digitais da minuta contratual, que a última modificação no documento antes de sua assinatura foi efetuada por um usuário registrado no sistema como “Ministro Alexandre de Moraes” no dia 11 de janeiro de 2024, às 16h30.
O fluxo desses pagamentos era monitorado de perto. Em 15 de março de 2024, Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro, cobrou o banqueiro via WhatsApp, afirmando que “o careca não pode atrasar”. Imediatamente, Vorcaro determinou a seus funcionários que efetuassem o repasse de forma prioritária e informal: “Pode pagar sempre, sem nota. Do jeito que for. É o pgto mais importante que temos”.







