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Vítima de raio no Parque Villa-Lobos permanece em estado grave na UTI

Maria Aparecida foi atingida por um dos 2,3 milhões de raios que caem em São Paulo por ano

A segurança Maria Aparecida Bueno, 45 anos, que foi atingida por um raio no Parque Villa-Lobos, na capital paulista, permanece internada em estado grave. A funcionária do parque orientava os visitantes para que se protegessem dos raios no início da tempestade da tarde de domingo quando sofreu a descarga elétrica. Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas e respira com a ajuda de aparelhos.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente entre 16h e 20h do domingo foram registradas 1.051 descargas elétricas na capital paulista. A região do Alto de Pinheiros, onde fica o Parque Villa-Lobos, foi uma das mais atingidas da cidade. Em 2001, no mesmo parque, dois adolescentes morreram ao buscar proteção em um quiosque. Naquele mesmo ano, um homem de 62 anos morreu no Parque do Carmo, também na capital paulista.

Após o acidente de 2001, o Villa-Lobos adotou um pacote de medidas de segurança que incluiu a instalação de 15 para-raios, um em cada edificação dos 732.000 metros quadrados da área. Mas o sistema não é suficiente para proteger a área. “Para-raios protegem apenas os edifícios e quem está dentro deles”, explica Alexandre Piantini, engenheiro eletricista da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em descargas elétricas. “Quem se afasta dos prédios fica desprotegido”, diz.

Foi o que aconteceu com a funcionária Maria Aparecida Bueno. Aos primeiros sinais de chuva forte, Maria Aparecida e outros seguranças terceirizados têm o papel de alertar os usuários do parque para que procurem abrigos seguros, como carros fechados e prédios. A funcionária havia acabado de retirar crianças que brincavam num parquinho infantil e pedalava sua bicicleta até um banheiro, onde deveria se proteger – não houve tempo.

Alerta – “Isso não pode acontecer. As pessoas precisam ser avisadas com, pelo menos, 30 minutos de antecedência e não com a tempestade em cima do parque”, afirma Osmar Pinto Júnior, coordenador do Grupo de Atividades Atmosféricas (Elat) do Inpe. De acordo com ele, áreas descampadas como a do Parque Villa-Lobos precisam de sistemas de alertas.

A secretaria de Meio Ambiente do estado afirma que ainda está analisando o acidente ocorrido no último domingo e que ainda não estudou novas medidas de segurança. A ampliação do número de para-raios não está prevista, já que, de acordo com a secretaria, ainda que houvesse um a cada metro quadrado, não garantiria 100% de eficácia na prevenção aos acidentes. Para Pinto Júnior, a melhor opção para proteger os frequentadores de parques é a mesma adotada nos Estados Unidos. “Existe uma rede de monitoramento nacional que prevê com bastante precisão o movimento das tempestades”, explica.

Mortes – Um levantamento do Inpe indica ainda que de 2000 a 2009 houve um aumento de 18% no número de raios no Brasil – a média é de 60 milhões por ano. “Não sabemos porque isso acontece”, explica Pinto Júnior. “Apesar de termos bastante pesquisa na área de descargas elétricas, é prematuro apontar um culpado para o aumento da incidência de raios”.

A incidência média de descargas elétricas no estado de São Paulo, de 2,3 milhões de raios por ano, não chega a estar entre as maiores do país – Amazonas lidera o ranking, com 11 milhões por ano. Mas, devido à densidade demográfica, o estado registrou o maior número de mortes desse tipo de 2000 a 2009: 230 casos, contra 1.321 em todo o país. Grande parte das mortes em território paulista ocorreu em locais abertos, como parques e campos de futebol. De acordo com o Inpe, a probabilidade de uma pessoa morrer em grandes áreas livres na capital de São Paulo é 10.000 vezes maior do que no restante da cidade.

Do total nacional, quase 20% das vítimas eram trabalhadores rurais que recolhiam animais ou trabalhavam em plantações com objetos metálicos, como enxadas, pás e facões. A segunda maior ocorrência foi de pessoas que estavam próximas a meio de transportes e dentro de casa, cada uma com 14%. Estar perto de árvores causou 12% das mortes e 10% aconteceram em campos de futebol.

Precauções – Durante tempestades, Piantini alerta que as pessoas devem evitar lugares altos e áreas descampadas. “Em dias de chuva deve-se evitar campos de futebol, praias e estacionamentos porque a pessoa vira o ponto mais alto, alvo preferencial dos raios”, comenta. O especialista também explica que as pessoas devem ficar longe dos objetos isolados, como árvores, postes ou quiosques. “Não porque o raio vai atingir diretamente a pessoa, mas porque a descarga pode saltar do objeto e atravessar quem estiver do lado”, orienta. Uma alternativa é entrar no carro ou ônibus, mantendo as janelas fechadas. Caso as pessoas não consigam encontrar abrigo em áreas descampadas – evitando sempre os objetos isolados – o melhor é ficar agachado no chão, com as mãos na nuca e os pés juntos.