Violência no Brasil é a menor em 13 anos, mas 19 estados superam taxa nacional de homicídios
País teve 40.775 mortes violentas em 2025, segundo dados do Anuário de Segurança Pública publicados nesta quinta-feira
Em 2025, o Brasil registrou a menor taxa de mortes violentas intencionais dos últimos treze anos. O total de 40.775 vítimas equivale a uma média nacional de 19,1 casos por 100.000 habitantes, proporção mais baixa desde 2012, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira, 22.
O indicador de mortes violentas intencionais, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é a soma dos casos de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, além dos óbitos de policiais e suspeitos durante troca de tiros. Em relação a 2024, o número de vítimas caiu 7,7% em todo o país.
Os homicídios dolosos seguem como a mais frequente causa de mortes violentas no país, representando oito em cada dez vítimas. Entre todos os indicadores, apenas as mortes provocadas por intervenção policial cresceram entre 2024 e 2025, chegando a 16% de todos os óbitos ocorridos no ano passado.
Mortes violentas intencionais no Brasil em 2025 por tipo e variação ante 2024
- Homicídio doloso: 32.914 (-9,6%)
- Latrocínio: 807 (-16,7%)
- Lesão corporal seguida de morte: 659 (-15%)
- Mortes decorrentes de intervenção policial: 6.602 (+6%)
- Mortes de policiais (em serviço ou fora): 139 (-3,4%)
Também em 2025, o Brasil registrou 110 casos de suicídio de agentes da Polícia Civil e Polícia Militar da ativa. O total de vítimas caiu 12,7% ante 2024, quando foram 126 ocorrências.
Sete estados têm alta das mortes violentas e dezenove superam taxa nacional de homicídios
Na contramão da tendência nacional de queda, as mortes violentas intencionais cresceram em sete das 27 unidades da federação (UFs) em 2025: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
Em relação aos homicídios dolosos, nada menos que dezenove UFs têm taxas superiores à média nacional (15,4 por 100.000 habitantes) — a lista inclui Rio de Janeiro, Espírito Santo, toda a região Norte e sete dos nove estados do Nordeste. São Paulo aparece com a menor taxa do país, fenômeno atribuído à intensa concentração populacional no estado, onde vivem mais de um quinto dos brasileiros.
Taxa de homicídios dolosos por 100.000 habitantes em 2025, por UF
- Ceará: 32,1
- Pernambuco: 31,1
- Alagoas: 29,0
- Maranhão: 26,6
- Bahia: 25,3
- Rondônia: 25,1
- Rio Grande do Norte: 24,4
- Amapá: 24,2
- Paraíba: 22,5
- Pará: 20,0
- Acre: 19,8
- Espírito Santo: 19,3
- Mato Grosso: 18,7
- Roraima: 17,3
- Rio de Janeiro: 17,1
- Tocantins: 17,0
- Amazonas: 16,8
- Mato Grosso do Sul: 16,6
- Piauí: 15,5
- Brasil: 15,4
- Sergipe: 13,2
- Minas Gerais: 12,6
- Goiás: 11,0
- Paraná: 10,7
- Rio Grande do Sul: 9,9
- Distrito Federal: 8,4
- Santa Catarina: 5,9
- São Paulo: 5,5
A pesquisa traça, ainda, um alarmante cenário para a região Nordeste, onde estão situadas as dez cidades mais violentas do Brasil, cinco delas na Bahia e três no Ceará. Segundo o Fórum de Segurança Pública, os municípios são palco de sangrentas disputas territoriais entre facções do narcotráfico devido à proximidade a portos, aeroportos e rodovias federais estratégicas.
Cidades com maior taxa de mortes violentas por 100.000 habitantes, em 2025
- Maranguape (CE): 100,3
- Eunápolis (BA): 85,1
- Maracanaú (CE): 80,7
- Porto Seguro (BA): 71,2
- Simões Filho (BA): 68,1
- Jequié (BA): 67,4
- Caucaia (CE): 66,6
- Cabo de Santo Agostinho (PE): 65,1
- Santa Rita (PB): 60,9
- Juazeiro (BA): 55,8







