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Vídeo mostra ação de homem que fez juíza refém

Gravação feita pela Polícia Militar mostra o agressor ameaçando atear fogo na magistrada

Vídeo divulgado no YouTube mostra a ação do homem que fez uma juíza refém nesta quarta-feira, no Fórum do Butantã, Zona Oeste de São Paulo (confira abaixo). Alfredo José dos Santos, de 36 anos, foi preso em flagrante depois de jogar gasolina na magistrada Tatiana Moreira Lima e ameaçá-la.

Santos tinha uma audiência marcada com a própria juíza nesta quarta, às 14h30, onde seria ouvido a respeito do processo que enfrenta por agressão à ex-mulher. Por volta das 14 horas, segundo a polícia, ele entrou no prédio do Fórum Butantã e incendiou a escada que dava acesso à sala de Tatiana. Lá, ele encontrou a vítima, que foi feita refém. Segundo os investigadores do caso, além da gasolina, Santos também havia levado “terra do cemitério”.

Como mostram as imagens, Santos imobilizou Tatiana e pediu que ela repetisse três vezes que ele não era louco e que não havia cometido nenhum crime. De acordo com a polícia, ele se referia à falha que acredita existir no julgamento que concedeu a guarda de seus filhos à ex-mulher. Em outra cena, ele manda um recado para os filhos, no qual chama Tatiana de “pilantra” e manda ela falar que ele é “inocente”. “Amigos, eu falei para vocês que eu ia provar, mesmo debaixo da terra, eu vou provar que sou inocente” diz Alfredo na gravação. Na sequência, os policiais resgatam Tatiana e prendem o agressor.

A juíza foi levada para o hospital Albert Eistein, também na Zona Oeste, onde foi ouvida, à noite, pela polícia. Tatiana está no Programa de Proteção à Pessoa e, portanto, o processo corre em sigilo. Após o episódio, Santos foi encaminhado para o Hospital Universitário e, em seguida, foi levado para o 51º DP (Rio Pequeno), onde prestou depoimento e foi autuado por tentativa de homicídio, explosão e resistência.

Nesta quinta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, publicou uma nota a respeito do episódio, que disse expor “intolerância e brutalidade”. “O ódio, o ressentimento e a incompreensão não podem ser motivos para se atacar as instituições da República e, especialmente, o Poder Judiciário, que sempre garantiu a estabilidade democrática do país, executando com destemor o juramento de fielmente cumprir e fazer cumprir as leis e a Constituição da República”, diz o texto também assinado pelo presidente do Tribunal de Justiça de são Paulo, Paulo Dimas de Bellis Mascaretti.

O presidente da Suprema Corte também afirmou que a juíza é “símbolo da determinação e da imparcialidade que caracterizam e distinguem a magistratura nacional” e disse que vai assegurar que Tatiana “continuará a exercer com coragem e destemor a relevantíssima missão constitucional de garantir a paz social. bem como os direitos e as garantias fundamentais por meio da aplicação firme das nossas leis e, sobretudo, da Constituição Federal”.

(Da redação)