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Vídeo interativo, com câmera de alta definição, ajuda a mapear áreas de risco na região serrana

Tecnologia permite que técnicos e autoridades refaçam o percurso infinitas vezes, identificando regiões onde pode haver sobreviventes e encostas instáveis

Por Da Redação 1 fev 2011, 17h08

“É como se uma viagem da aeronave fosse multiplicada. Mesmo quando se está a bordo não é possível olhar com calma, parar o quadro para analisar minuciosamente uma encosta ou uma região onde pode haver sobreviventes”, explica Marco Aurélio Freiras, um dos criadores do sistema

Desde a madrugada de 12 de janeiro, tudo o que se conhecia sobre a topografia das encostas da região serrana do Rio deixou de valer. Passada a fase crítica de resgate de sobreviventes e de recolhimento de corpos, a corrida é para, antes da próxima chuva forte, identificar quais serão os próximos deslizamentos. Como afirmou o vice-governador do estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, é certo que novas encostas virão abaixo. E o que se pode fazer, por enquanto, é garantir que ninguém esteja morando nesses locais.

(Leia também: Temporal mudou a geografia da região serrana)

Uma experiência em Petrópolis ajuda as equipes de resgate e as autoridades locais a dimensionar a tragédia e a identificar os pontos onde as intervenções são mais urgentes. Com uma câmera de alta definição acoplada a um helicóptero, foram captadas imagens em 360 graus do Vale do Cuiabá, em Itaipava, município de Petrópolis. Com a tecnologia de vídeo imersivo desenvolvida por duas empresas cariocas, é possível ‘refazer virtualmente’ o percurso infinitas vezes. Conheça o resultado do trabalho em duas fotos e um vídeo interativos.

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“Foi a primeira vez que experimentamos captar esse tipo de imagem a partir de uma aeronave”, explica o diretor de tecnologia da Total TI, Marco Aurélio Freitas. O mesmo tipo de captação de imagens, com registro da posição exata feito por GPS, foi usado por terra, no Vale do Cuiabá. Nos dois casos, o uso para mapeamento de áreas de risco é uma adaptação do sistema iPública, criado para gestão de conservação urbana, em parceria com outra empresa carioca, a Go2Web.

No caso das imagens aéreas, a vantagem é que, com um sobrevôo em um dia com boas condições de visibilidade, são feitos registros que podem ser usados simultaneamente por vários técnicos, engenheiros e gestores públicos. “É como se uma viagem da aeronave fosse multiplicada infinitas vezes. Mesmo quando se está a bordo não é possível olhar com calma, parar o quadro para analisar minuciosamente uma encosta ou uma região onde pode haver sobreviventes”, explica Freiras.

Mapear detalhadamente as áreas afetadas – um compromisso que, pelo menos no nível das promessas, envolve o governo federal – é algo que pode levar ainda alguns anos. Mas são muitas as razões para, antes disso, identificar o perigo iminente. A primeira delas está amparada na certeza de que, depois que as encostas se rompem, novos deslizamentos, ainda nesta estação de chuvas, são quase uma certeza. E, como alertam os meteorologistas, a chuva descomunal que desabou na região de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo não foi um fenômeno isolado.

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