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Vida na favela: só 1,6% dos moradores tem ensino superior

Novo recorte do Censo 2010 mostra que continua profunda a desigualdade entre quem vive e quem não vive nos chamados 'aglomerados subnormais'

Por Cecília Ritto 6 nov 2013, 09h08

Um novo recorte do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que reduzir a desigualdade entre quem mora e quem não mora em favelas brasileiras ainda é um desafio que está longe de ser vencido. Uma das diferenças mais marcantes desse cenário está na escolaridade: somente 1,6% da população que vive no que o IBGE chama de “aglomerados subnormais” conseguiu concluir o ensino superior – índice que sobe a 14,7% em outras áreas da cidade. Separando cada uma das regiões do país, fica no Sul a maior disparidade entre os que terminaram a faculdade: 1,7% nas periferias, e 20% no outro grupo. A pesquisa também mostra que a população das favelas depende quase totalmente de creches e escolas públicas, onde estudam 86,9% dos moradores. Nos outros pontos da cidade, o porcentual cai para 63,7%.

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A baixa escolaridade afeta diretamente outro quesito levantado pelo IBGE, o rendimento mensal. Resultado: 31,6% dos moradores dos aglomerados subnormais precisa sobreviver com até meio salário mínimo, enquanto nas outras regiões, essa é a realidade de 13,8% da população. Em condição totalmente oposta, os que ganham acima de cinco salários mínimos representam só 0,9% das pessoas das favelas. No resto das localidades, o índice sobe para 13,4%. O contingente de pessoas que trabalha de maneira informal também é maior entre quem mora nas favelas (27,8% desses trabalhadores não têm carteira assinada), na comparação com as demais áreas dos municípios (20,5%).

No que se refere à aquisição de bens de consumo duráveis, porém, há uma aproximação entre os dois grupos. Quase todos os domicílios em favelas têm geladeira (95,1%) e televisão (96,7%). O porcentual é praticamente o mesmo das outras áreas das cidades. A posse de motocicleta também é semelhante (10,3% nos aglomerados subnormais e 11,3% nas demais áreas). O distanciamento volta a se ampliar em relação a automóveis (17,8% ante 48,1%), computador com acesso à internet (20,2% frente a 48%) e máquina de lavar roupa (41,4% e 66,7%).

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Quem são – O IBGE considera aglomerados subnormais “locais onde se concentra no mínimo 51 unidades habitacionais ocupando propriedade alheia, disposto de forma desordenada e/ou com falta de acesso a serviços públicos essenciais”. Atualmente, há mais de 11,4 milhões de brasileiros vivendo em 3,2 milhões de conjuntos do tipo. No Rio de Janeiro, esses grupos estão alocados por toda a capital, muitos deles no meio de bairros nobres da Zona Sul e também em regiões mais isoladas, como a Zona Oeste. Já em São Paulo, esses espaços ficam, em geral, nas áreas de periferia, em especial nas zonas Sul e Norte, e nas fronteiras com os municípios de Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos e Mauá.

O Levantamento de Informações Territoriais (LIT), realizado pela primeira vez pelo Censo 2010, mostrou ainda que 52,5% dos domicílios em aglomerados subnormais do país estão localizados em áreas predominantemente planas, 51,8% têm acessibilidade por ruas, 72,6% não têm espaçamento entre si e 64,6% têm um pavimento. Apesar das dificuldades de se transitar por muitos desses locais, o IBGE não encontrou grandes diferenças no que diz respeito ao deslocamento entre quem vive e quem não vive em favelas. O tempo gasto para chegar ao trabalho é de cerca de uma hora para 19,7% dos aglomerados. O mesmo tempo é gasto entre 19% da população de outras áreas.

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