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Vice da Camargo Corrêa era contato de Youssef, diz réu

Advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, laranja de Alberto Youssef, apontou dois executivos da construtora como contatos do doleiro no esquema de desvio de verbas

Por Da Redação 29 set 2014, 22h40

O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, réu na Operação Lava Jato e laranja de Alberto Youssef, declarou nesta segunda-feira à Justiça Federal que os contatos do doleiro na Construtora Camargo Correa eram os executivos Eduardo Leite, vice presidente da empreiteira, e João Auler, membro do conselho de administração.

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O advogado foi ouvido como testemunha em uma das ações contra Youssef e colocado em liberdade por ter se comprometido a colaborar com as investigações.

O depoimento confirma as suspeitas da PF. Escutas revelaram trocas de mensagens entre Youssef, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e uma pessoa apelidas de “Leitoso”, que seria um executivo da Camargo Corrêa.

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“O que me disse o Alberto (Youssef) é que era um comissionamento sobre a negociação de venda de tubos da Sanko para a Camargo Corrêa. Não sei precisar qual o porcentual, não participei da negociação. Minha função era só como procurador da empresa (GFD)”, afirmou o advogado ao ser questionado sobre um contrato da Sanko com a GFD Investimentos.

As empresas do Grupo Sanko (Sanko Sider e Sanko Serviços) são citadas nas investigações do Ministério Público sobre os contratos para as obras da refinaria de Abreu e Lima da Petrobrás, em Pernambuco. O Consórcio CNCC (Consórcio Nacional Camargo Corrêa) foi o vencedor de uma das licitações das obras da refinaria em 2008 e contratou a Sanko Sider, que vendeu tubulações e conexões para a obra, e a Sanko Serviços.

O Grupo Sanko, então, firmou contratos com a MO Consultoria e a GFD Investimentos, empresas controladas por Youssef e colocadas em nome de laranjas. A MO era empresa meramente de fachada, enquanto a GFD seria utilizada para ocultação do patrimônio de Youssef. Carlos afirmou que um contrato de prestação de serviços da GFD com a Sanko nunca foi cumprido.

Segundo a denúncia do MPF, com base na quebra do sigilo fiscal das empresas, a Sanko Sider e a Sanko Serviços receberam R$ 113 milhões do CNCC e da Camargo Corrêa entre 2009 e 2013. Parte deste valor, de acordo com a Procuradoria, incluía contratos superfaturados e desvio de dinheiro de recursos da Petrobrás que seriam utilizados para pagamento de propina a políticos.

Procurados pela reportagem, o Consórcio CNCC e a empreiteira Camargo Corrêa divulgaram nota negando ter relacionamento comercial com Youssef ou qualquer uma de suas empresas.

(Com Estadão Conteúdo)

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