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Vereador do partido de Kassab será conselheiro do Tribunal de Contas do Município

Domingos Dissei, do PSD, assume cadeira vaga desde dezembro do ano passado. Presidente do PR paulistano é cotado para a próxima vaga

Por Thais Arbex - 20 jun 2012, 14h25

O prefeito Gilberto Kassab indicou o vereador Domingos Dissei, do seu partido, o PSD, para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Município (TCM). O vereador, secretário das Administrações Regionais na gestão Celso Pitta, passará por uma sabatina pro forma na Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira, às 15h – sua indicação foi aprovada por unanimidade na Casa. O TCM é o órgão responsável por fiscalizar as contas da prefeitura.

Dissei ocupará a vaga de Antônio Carlos Caruso, que se aposentou em dezembro passado ao completar 70 anos. A indicação do vereador estava sendo negociada há aproximadamente um ano. A próxima vaga será aberta em dezembro de 2013, com a aposentadoria de Eurípedes Sales. O cotado para assumir a cadeira é o presidente do PR paulista, o vereador Antonio Carlos Rodrigues.

Chegou a ser negociado um acordo para que Sales antecipasse a saída do TCM e abrisse a vaga para Rodrigues, mas o acordo foi abortado assim que o PR oficializou o apoio à candidatura do tucano José Serra em São Paulo. O republicano quis evitar que sua indicação fosse apontada pela oposição como determinante para a aliança do PR com o PSDB.

Ao site de VEJA, Rodrigues confirmou ter havido um convite do prefeito Gilberto Kassab para a vaga que será aberta, mas negou que sua indicação tenha relação com o acordo para a eleição. O vereador, que é primeiro suplente da senadora Marta Suplicy, afirmou ainda que abriu mão da cadeira para se dedicar exclusivamente à campanha pela reeleição na Câmara dos Deputados. “Estou dedicado à campanha na rua”, afirmou.

Para os petistas, no entanto, mais do que não ter sido contemplado pela presidente Dilma Rousseff, a disposição de Kassab de indicar Rodrigues para o TCM pesou para selar a aliança entre o PR e o PSDB. Para fechar com o PT em São Paulo, os republicanos exigiam a devolução do comando do Ministério dos Transportes e mais espaço no segundo escalão do governo federal.

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“Eles colocaram a questão nacional como fundamental para fechar a aliança”, disse o coordenador da campanha petista, vereador Antonio Donato. “A presidente Dilma tomou a decisão correta de não misturar governo com eleições. Diferentemente do que tem feito o prefeito Kassab”.

A aliança dos republicanos com o PSDB foi negociada pelo ex-ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento, e pelo deputado Valdemar da Costa Neto, réu no processo do mensalão.

Aprovação de Dissei – Na justificava do projeto que trata da aprovação do nome de Domingos Dissei para o TCM, os vereadores afirmam que ele é uma “pessoa detentora de inquestionável idoneidade moral, ilibada reputação, competência e experiência profissional e que detém notórios conhecimentos o que o habilita ao pleno desenvolvimento das atividades do cargo”. O posto tem salário de cerca de 24 000 reais.

Na Câmara desde 1997, Dissei deixou o DEM no ano passado quando o partido de Kassab foi criado. Em 2009, foi um dos vereadores que chegaram a ter o mandato cassado pela Justiça por ter recebido, nas eleições de 2008, doações supostamente ilegais da Associação Imobiliária Brasileira (AIB).

A entidade ganhou notoriedade no último pleito municipal por figurar entre as maiores financiadoras de campanha – foram 2,94 milhões de reais para 26 candidatos vitoriosos da capital. Uma investigação do Ministério Público Estadual apontou que a AIB seria um braço do Secovi (Sindicato das Imobiliárias e Administradoras). Dissei e outros 12 vereadores conseguiram suspender a decisão judicial.

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