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Vaticano tem seu próprio escândalo ao estilo WikiLeaks

Por Andreas Solaro 14 fev 2012, 11h18

O Vaticano está vivendo sua própria versão de escândalo WikiLeaks, que atingiu em cheio a diplomacia dos Estados Unidos, afirmou o porta-voz Federico Lombardi, frente a recentes vazamentos na imprensa italiana.

Vários jornais publicaram cartas de um delator denunciando casos de corrupção no Vaticano, assim como acusando o banco do Vaticano de falhar na implantação de leis contra lavagem de dinheiro.

Na semana passada, uma carta confidencial de um cardeal confessando ter conhecimento de um plano de assassinato do Papa nos próximos 12 meses foi divulgada e ridicularizada pelo Vaticano.

“Precisamos de calma, sangue frio e razão”, afirmou o padre Lombardi em uma longa declaração publicada no site da Rádio do Vaticano na segunda-feira à noite.

O governo do presidente americano Barack Obama “teve o Wikileaks, o Vaticano está tendo seus próprios vazamentos”, afirmou.

Observadores disseram que os vazamentos são evidências de uma luta interna pelo poder no Vaticano, particularmente contra o Secretário de Estado, Tarcisio Bertone.

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“Esses vazamentos têm a intenção de espalhar confusão e manchar a imagem do Vaticano, do governo da Igreja e da própria Igreja”, comentou Lombardi.

O porta-voz frisou que o Papa Bento XVI está comprometido com o avanço da administração das finanças do Vaticano e assegurou que o banco do Vaticano está alinhado às regras internacionais contra lavagem de dinheiro.

“Estão dizendo que documentos internos estão sendo transmitidos externamente de maneira desonesta”, declarou Lombardi.

“Alguns desses documentos recentemente distribuídos tendem a diminuir a credibilidade em relação ao compromisso da Igreja em aumentar a transparência”, acrescentou.

Perguntado posteriormente, nesta terça-feira, sobre rumores persistentes de que o Papa poderia renunciar, advertiu: “Se essa questão já foi alguma vez abordada seriamente, discutiremos. Por ora, não é nada sério e, portanto, não há o que dizer”.

Bento XVI mencionou a possibilidade de renunciar em um livro de entrevistas do jornalista alemão Peter Seewald intitulado “Luz do Mundo”, em que afirmou que iria parar se não pudesse mais cumprir com suas obrigações.

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