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Vandalismo volta às ruas de São Paulo em ato contra Copa

Ao menos uma viatura da Guarda Civil foi depredada e um veículo particular incendiado. PM detém 128 pessoas

O protesto contra a Copa do Mundo no Brasil realizado neste sábado em São Paulo teve atos de vandalismo. Ao menos uma viatura da Guarda Civil Metropolitana foi depredada e um veículo particular incendiado na região central da capital. Os ataques foram feitos por mascarados. Segundo informação oficial da PM, 128 pessoas foram detidas.

Os protestos foram marcados com antecedência pelas redes sociais. A concentração começou na Avenida Paulista, por volta das 15h. Segunda a Polícia Militar, cerca de 500 manifestantes partiram do Masp em direção à Avenida Brigadeiro Luís Antonio, por volta das 17h. Dali, caminharam para o centro.

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Antes de a multidão chegar ao Theatro Municipal, a caminhada seguia pacífica e até alguns black blocs posaram para fotos em frente à faculdade São Francisco, pendurados em estátuas com suas bandeiras pretas com o símbolo do anarquismo. Para impedir que os mascarados se juntassem ao público que visitava uma feira gastronômica em frente ao teatro, a polícia lançou bombas de efeito moral. O mesmo recurso voltou a ser usado perto da rua Martins Fontes, onde uma lixeira foi incendiada.

Diante da varanda lotada do Theatro Municipal houve gritos de “Ei, burguês, a culpa é de vocês”. Outros gritos de guerra foram entoados ao longo da manifestação, como “Chega de alegria, a polícia mata um por dia” e “Deixa passar a revolta popular”. Uma faixa com os dizeres “Sem direitos, sem Copa” foi carregada o tempo todo à frente da manifestação pelos black blocs.

Quando a manifestação chegou à rua Xavier de Toledo, na esquina com o Viaduto do Chá, a PM fez um cordão de isolamento para impedir que os manifestantes fossem para a Praça da República, onde aconteceria o principal show do aniversário de 460 anos da cidade de São Paulo. Eles, então, jogaram latas e garrafas contra o público e ao menos duas pessoas ficaram feridas. O tumulto ocorreu no intervalo entre os shows de Paulinho da Viola e Opalas.

Uma vez no centro, os manifestantes se dispersaram. Por volta das 20h, vândalos quebraram vidros de agências bancárias e a porta de um prédio residencial. Em seguida, atacaram um ônibus e escreveram na lataria do veículo: “tarifa zero.”

Os mascarados colocaram fogo em terminais de atendimento dentro de agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco. Houve início de incêndio. Coquetéis molotov foram lançados na direção dos PMs.

Às 20h10, a PM informou, em sua conta no Twitter, que 1.500 pessoas participavam do ato no centro. Dez minutos depois, a PM descreveu os atos de vandalismo: “Black Blocs colocaram fogo em um Fusca pela Rua da Consolação. Outro grupo tentou tombar viatura da GCM.” Passageiros do veículo foram retirados às pressas. O motorista tentou conter as chamas, mas não conseguiu.

Por volta das 20h45, novamente pelo Twitter, a PM informou que soldados do Choque desciam, em formação, a rua Augusta. “Os vândalos jogam rojões contra a tropa”, dizia o texto. Os policiais impediram que os manifestantes caminhassem em direção à Paulista.

Para fugir do cerco da polícia, armado na altura do número 400 da rua Augusta, cerca de 30 manifestantes se refugiaram no lobby do hotel Linson, onde foram encurralados pelos oficiais. Os policiais liberaram, então, jornalistas e hóspedes e detiveram suspeitos de vandalismo. Os detidos foram levados para o 78º DP (Jardins).

O ato foi organizado por vários grupos que participaram dos protestos de junho do ano passado, como black blocs, Assembleia Nacional de Estudantes Livre, Periferia Ativa, entre outros.

(Com Estadão Conteúdo)