Valdemar: ‘Precisamos da Michelle na campanha de Flávio’, diz presidente do PL
A VEJA, cacique defendeu resolução de 'briga de família' e afirmou que rompimento das relações entre senador e ex-primeira-dama levarão à vitória de Lula
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu uma trégua entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pregou que a presença da ex-primeira-dama na campanha do senador à Presidência é imprescindível para sua vitória contra o atual presidente Lula.
As declarações foram dadas ao programa Os Três Poderes, de VEJA, nesta sexta-feira, 17.
Questionado pela editora Laryssa Borges a respeito do peso dos eleitores independentes nas eleições — fatia dentre a qual 68% rejeitam Flávio, segundo a última Genial/Quaest –, Valdemar respondeu que, em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro perdeu a reeleição contra Lula por causa de sua rejeição junto ao público feminino. Para o cacique, o mesmo erro não pode ser cometido neste ano por Flávio que, segundo ele, precisa do apoio de Michelle.
“Está provado que as mulheres derrotaram a gente [em 2022]. Você faz pesquisa hoje e ainda as mulheres são maiores apoiando o Lula. É um problema pra nós, que tínhamos que ter resolvido lá atrás. Perdemos uma eleição ganha, infelizmente, e estamos pagando caro por causa disso”, disse.
“Eu espero que a gente não cometa o mesmo erro agora e tire essa diferença, porque as mulheres são muito importantes na nossa campanha, inclusive no que diz respeito à Michelle Bolsonaro. Nós precisamos da Michelle na campanha”, frisou o presidente nacional do PL.
Nas últimas semanas, Michelle tornou-se o epicentro de uma crise interna no partido ao expor atritos com Flávio — a quem acusou de preteri-la e maltratá-la na legenda — e ao deixar a presidência do PL Mulher, seu principal projeto.
Durante a entrevista, Valdemar também elogiou a ex-primeira-dama, creditou a ela o sucesso da ala feminina do partido e disse estar trabalhando por uma reconciliação entre Michelle e Flávio com o intermédio do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio ao Planalto.
“Ele é uma figura, hoje nacional, que conseguiu instalar o PL Mulher em todo o Brasil, e com sucesso. Ela tem carisma, fala bem, ela conquistou isso (…) Não podemos ter ela fora da campanha. Estou trabalhando nisso, inclusive agora cedo. Pedi pro Rogério Marinho, fiz uma reunião com ele agora pra ele ajudar nesse sentido”, declarou.
‘Briga de família’
Valdemar lamentou o que classificou como “briga de família” entre o clã Bolsonaro e afirmou que a manutenção das rusgas implicarão, necessariamente, em uma derrota para Lula.
“Nós temos que acertar isso aí. É briga de família, mas nós temos que acertar briga de família, não podemos perder a eleição (…) E precisamos das mulheres”, declarou.
Questionado pelo colunista Robson Bonin a respeito da possibilidade de que Michelle e Flávio possam voltar a fazer campanha juntos, Valdemar afirmou considerar o gesto viável.
“Mas o senhor acredita que é possível ainda a gente ter uma foto do Flávio, da Michelle, abraçados e trocando elogios nessa campanha”?, questionou Bonin.
“Acredito, porque é ruim para os dois. A Michelle não quer ver o Bolsonaro preso mais dez anos. Se perdermos a eleição, Bolsonaro fica mais dez anos preso. Eu acredito, e estou pedindo ajuda das pessoas próximas para ajudarem também”, respondeu o cacique.







