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Unifesp recusou oferta para receber prédio que desabou no centro de SP

Em ofício à União, em 2013, universidade afirmou que imóvel apresentava 'condições de degradação e abandono' e irregularidades

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) rejeitou, em 2013, uma oferta da União para instalar o curso de direito no Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, centro de São Paulo, que desabou na madrugada da última terça-feira, após um incêndio de grandes proporções. Segundo um ofício da Unifesp datado de abril daquele ano, o prédio apresentava “condições de degradação e abandono” e a vistoria realizada por técnicos da pró-reitoria de Planejamento constatou diversas irregularidades no edifício.

“São elas: alagamento permanente do subsolo, com possíveis consequências nas fundações e pisos da garagem; descolamento da empena lateral em relação ao prédio vizinho, indicando necessidade de avaliação estrutural; descolamento de elementos de revestimento da fachada podendo atingir pedestres; existência de numeroso patrimônio da Polícia Federal que não foi retirado do local; roubo e depredação de instalações diversas do imóvel, que precisam de ampla recuperação; tombamento de fachada e piso, o que dificulta adaptações; não atendimento das normas dos Bombeiros, implicando nova torre de escadas enclausurada, entre outros aspectos”, enumera a universidade.

O Edifício Wilton Paes de Almeida foi oferecido à instituição pela União em agosto de 2012 e a vistoria da Unifesp foi realizada em maio do ano seguinte.

A Unifesp afirmou ainda, no ofício, que “apesar de ter interesse pelo imóvel e reconhecer sua importância histórica” não teria condições técnicas e orçamentárias para arcar com a recuperação e a manutenção do edifício.

Em nota divulgada na quinta-feira passada, a universidade também afirmou que não foi o único órgão público a recusar o imóvel. “Tanto a gestão [do ex-prefeito Gilberto] Kassab quanto a [do ex-prefeito Fernando] Haddad recusaram recebê-lo, dado seu estado de abandono, deterioração e riscos estruturais”, citou a Unifesp.