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Um país mais velho e com lares menores

Pesquisa confirma curva de envelhecimento em todas as regiões do país e investiga acesso a bens como lavadoras de roupas, automóveis e DVDs

Os dados obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD 2009 -, divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, mostram um país que mantém a tendência de envelhecimento e de redução do tamanho dos lares. As 339.387 pessoas entrevistadas em 153.837 lares permitiram confirmar a curva de redução na população até 24 anos, enquanto acentua-se o crescimento dos brasileiros com mais de 40. O envelhecimento se concentra nas regiões Sul e Sudeste, onde a presença de pessoas entre 40 e 59 anos representa, respectivamente, 26,2% e 25,6% da população. O Norte é onde a população é mais jovem: 50,2% têm entre 0 e 24 anos e apenas 18,3% estão entre 40 e 59 anos.

O total estimado de domicílios particulares foi de 58,6 milhões – 1 milhão a mais que em 2009. A pesquisa de 2009 tem a particularidade de investigar as condições de vida nos domicílios no período em que variáveis como emprego, renda e consumo estiveram pressionados pela crise econômica mundial. A análise do gerente de integração da PNAD com a Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo Pereira, é de que o abalo causado pela crise afetou os níveis de ocupação da população economicamente ativa, mas não a ponto de desestruturar o mercado de trabalho.

A população residente no Brasil, segundo a estimativa da PNAD 2009, era de 191,8 milhões. Desde 2007, as entrevistas apontam um crescimento na população declarada parda ou negra, que supera a metade dos brasileiros.

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“Em 2009, esperávamos uma melhoria do mercado de trabalho, mas o que observamos foi que ele deixou de melhorar”, diz Pereira.

A manutenção do envelhecimento, do aumento dos níveis de renda – o rendimento médio mensal real foi estimado em 1 106 reais em 2009, 2,2% acima dos 1 082 do ano anterior – e uma elevação contínua da melhoria dos níveis de escolaridade acompanham a consolidação de alguns costumes.

A PNAD 2009 também confirmou o crescimento na proporção de domicílios com um, dois ou três moradores, enquanto as famílias maiores, com quatro, cinco ou mais integrantes apresentam queda. Em 2004, apenas 10,4% dos lares tinha apenas um morador – proporção que atingiu 12% em 2008 e foi mantida em 2009. Já as residências com três moradores são, hoje, 25,1% total no Brasil. Em 2004, 23,3% das residências tinha cinco ou mais ocupantes, proporção que chegou a 18,3% no ano passado – seu nível mais baixo na série histórica.

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A investigação do IBGE identificou avanços no acesso a bens duráveis. O destaque, segundo os pesquisadores, é a máquina de lavar roupa, que em 2009 estava presente em 44,3% dos lares. “Ela é uma compra opcional. Sem aparelho de TV, não se vê televisão. Mas sem máquina de lavar, lava-se a roupa na mão”, afirma Cimar Azeredo. A presença das lavadoras vem aumentando desde 2004, quando a posse desse tipo de item foi identificada em 34,3% dos lares.

Desde 2008, a PNAD investiga também a posse de aparelhos de DVD nas residências. Segundo o relatório da pesquisa, de 2008 para 2009 a presença desse item nos lares aumentou 2,6 pontos porcentuais, chegando a 72%. Há dois anos é aferida também a presença de veículos automotores nos domicílios. Em 2009, 37,5% dos lares pesquisados tinham a presença do automóvel e 16,2%, da motocicleta – com aumentos de 1,1 e 1,5 ponto porcentual em relação ao período anterior.

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