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Um a cada três presos no Brasil nunca foi submetido a julgamento

Levantamento do CNJ mostra que detento com esse perfil pode ficar encarcerado até 974 dias; tráfico de drogas e roubo provocam mais da metade das prisões

Um a cada três presos nas penitenciárias brasileiras ainda não foi submetido a julgamento, segundo números atualizados divulgados nesta quinta-feira pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que mostra ainda que detentos com esse perfil podem ficar quase mil dias encarcerados à espera de ser ouvido por um juiz.

Segundo a nova atualização, feita a pedido da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), após a crise envolvendo o sistema no início do ano, o país tem hoje 654.372 presos, sendo que 221.054 (34%) deles são provisórios. O percentual de presos provisórios no total da população carcerária, no entanto, já foi maior – em 2014, quando foi feito o levantamento anterior, ele era de 37%. Os números deste ano, no entanto, ainda podem mudar, porque dois estados, Mato Grosso do Sul e Tocantins, não enviaram as informações pedidas pelo CNJ.

Ainda de acordo com o novo estudo, detentos provisórios ficam encarcerados por tempo que varia de 172 dias a 974 dias, dependendo do estado onde se encontra preso. No Sergipe, por exemplo, o número de presos sem condenação representa 82% do total. Em janeiro, após a explosão da crise de superlotação nos presídios do Amazonas e do Rio Grande do Norte, Cármen Lúcia pediu que os tribunais adotassem medidas para acelerar o julgamento de presos provisórios.

Crimes

Mais da metade do total de detentos (provisórios e já condenados) está na prisão por tráfico de drogas (29% do total) e roubo (26%). Na sequência, aparecem os crimes de homicídio (13%), porte ilegal de arma (8%), furto (7%) e receptação (4%).

(Com Agência Brasil)

Comentários

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  1. Sergio Cihgral

    Esta reportagem declara abertamente que no Brasil inexiste um Estado de Direito Democrático. Isto, sem falar da maior parte dos crimes que nem sequer é investigada. Por outro lado, para a classe política existe até um tribunal especial – o STF – onde reinam os privilegiados políticos. Já passou da hora da mídia difundir esta realidade, visando estabelecer, de fato, um Estado de Direito Democrático no Brasil.

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  2. E as vitimas desses “injustiçados”, os filhos mortos, as familias que perderam seus bens, os pais e mães aterrorizados em seus lares? As vitimas tiveram seus direitos julgados e atendidos pelo Estado? É, parece que a Lei pune apenas…as vitimas. Assim que se iniciaram no mundo civilizado a volta da “extrema-direita” aos governos, ou devemos apenas dizer, extremamente direitos ao poder.

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  3. edemilson baptista siqueira siqueiramau

    Justiça do direito telúrico.

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