Trump constrange Lula e o PT ao expor ao mundo a leniência brasileira com o trabalho forçado
Governo dos Estados Unidos estipula tarifa de até 12,5% contra o Brasil por falhar na missão de proteger trabalhadores
Lula vai completar, em menos de seis meses, o terceiro mandato na chefia do Planalto. O seu partido, o PT, esteve no comando da República por quase duas décadas. Tempo não faltou para lidar com a exploração de trabalhadores no país, algo que deveria ser sagrado num governo do “Partido dos Trabalhadores”.
O petismo, no entanto, ignorou o problema até ser confrontado, nesta semana, por uma constrangedora realidade: um tarifaço imposto por um governo de direita nos Estados Unidos justamente para punir um país que falhou em proteger trabalhadores.
Ainda que seja uma jogada dos Estados Unidos para obter vantagens em negociações comerciais, não deixa de ser um constrangimento ao nosso “líder internacional” o fato de que um governo de outro país precise adotar medidas para que Lula faça o dever de casa e garanta trabalho digno ao “proletariado” nacional.
Em setembro de 2024, o governo do presidente Lula criou uma regra que facilitou a vida de quem é flagrado explorando trabalho escravo no país. Com uma fiscalização historicamente ineficaz, o Brasil tinha, na chamada “Lista suja do trabalho escravo”, um instrumento para inibir esse crime por meio do constrangimento público.
Por uma dessas ironias brasileiras, o atual governo petista criou, sob protestos de entidades e movimentos de direitos humanos, uma nova regra sobre o cadastro e passou a permitir que empresários façam um acordo com a União e, com isso, deixem a chamada “lista suja”.
Atos como esse, associados ao histórico negligente dos governos brasileiros em fiscalizar o trabalho escravo, colocaram o Brasil na lista de países tarifados pelo governo de Donald Trump por falhas no combate ao trabalho forçado.
Recentemente, o deputado Leo Prates, relator dos debates sobre o fim da jornada 6×1, cobrou do governo Lula, num ofício, medidas urgentes para reforçar o quadro de auditores-fiscais do Trabalho no país. O documento alerta que, sem ampliação da fiscalização, a futura redução da jornada pode “existir apenas no papel”, sem impacto real para milhões de trabalhadores brasileiros.
Dados colhidos pelo deputado na Justiça do Trabalho e enviados ao governo mostram que o Brasil tem 20 milhões de trabalhadores assalariados informais no Brasil, grupo considerado mais vulnerável a jornadas exaustivas e precarização das relações de trabalho.
O número de cargos de Auditor-Fiscal do Trabalho permanece praticamente congelado desde os anos 1990, enquanto a população economicamente ativa quase dobrou no período, passando de 55 milhões para cerca de 108 milhões de pessoas. Hoje, dos 3.644 cargos previstos para a carreira, apenas 2.680 estão ocupados, além de quase 300 servidores já aptos à aposentadoria.
O déficit, segundo o relator, compromete diretamente a capacidade de inspeção do país. Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho mostram que, em 2024, apenas 169.000 dos mais de 5,9 milhões de estabelecimentos sujeitos à fiscalização foram inspecionados, menos de 3% do total.
Enquanto isso, os cargos comissionados na gestão petista, feita para abrigar a companheirada, explodiram, saindo de 1.183, no governo passado, para mais de 4.400 no atual governo.






