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Tragédia de Santa Maria: integrante de banda minimiza responsabilidade. ‘Era apenas uma formiguinha’

Incêndio provocado por artefatos pirotécnicos matou 242 pessoas em Santa Maria (RS), em janeiro de 2013

Por Da Redação - 26 nov 2015, 14h54

No segundo dia de depoimentos no processo criminal sobre o incêndio na boate Kiss, o ex-produtor da banda Gurizada Fandangueira Luciano Augusto Bonilha Leão foi interrogado pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada, no Foro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A tragédia matou 242 pessoas em janeiro de 2013. Durante o depoimento, ele tentou minimizar sua importância na banda.

“Nessas bandas existem as estrelas, e eu era uma formiguinha”, disse ao juiz. Leão afirmou que apenas cumpria ordens do “responsável” pelo grupo, Danilo Jaques, único integrante que morreu na tragédia. Quando questionado sobre sua função, respondeu que ser chamado de promotor era “muita responsabilidade para quem só ganhava 50 reais de cachê”.

Leão é acusado de comprar os artefatos pirotécnicos que deram início ao incêndio, mas ele explicou que realizava várias compras, só que sempre sem saber do que se tratavam. Conforme ele explicou, ele era apenas um assistente de palco, ou seja, quem carregava e instalava os instrumentos para os shows, além de também armar o sistema que acendia o artefato pirotécnico.

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O ex-produtor descreveu como o mecanismo funcionava: os artefatos eram colocados como uma munhequeira no pulso do cantor e o fogo sendo acionado à distância, por ele. Leão também afirmou que nunca soube que o artefato fosse combustível e disse que confiava no que Jaques dizia, de que ele era frio. Leão chorou ao falar que pensou várias vezes em se matar. O advogado dele anexou aos autos do processo que Luciano passa por tratamento psicológico.

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Nesta quarta-feira, o ex-vocalista da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, de 35 anos, foi o primeiro a depor. Ele pediu perdão: “Vejo a dor de todo mundo aqui e gostaria de pedir perdão, se eu fiz alguma coisa errada. Nunca imaginei que poderia acontecer isso na minha vida”. Santos afirmou que utilizava fogos na maioria dos shows do grupo, inclusive dentro da Boate Kiss, e admitiu, quando questionado pelo juiz Louzada, que nunca havia lido as instruções dos sinalizadores que acendia. O ex-vocalista disse também que Elissandro Spohr, o Kiko, um dos donos da boate, sabia do uso dos fogos, mas “nunca falava nada”.

No dia 1 de dezembro, será a vez de Spohr prestar depoimento. Já no dia 3, dessa vez em Porto Alegre, o outro sócio dono da Kiss, Mauro Hoffmann, será ouvido no Fórum Central de Porto Alegre.

Os quatro réus são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe e emprego de fogo, asfixia ou outro meio insidioso ou cruel que possa resultar perigo comum (242 vezes consumado e 636 vezes tentado). Após os interrogatórios, será aberto prazo para que a acusação e as defesas apresentem por escrito suas alegações finais, antes de o juiz decidir se os réus vão a júri popular.

(Da redação)

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