Tiroteios deixam dois mortos e mudam rotina do Rio

Bandidos atacam policiais e trens têm funcionamento afetado pelos confrontos

Por Cecília Ritto - 23 nov 2010, 19h47

A retomada das incursões da polícia em favelas do Rio trouxe de volta às áreas carentes da cidade o cenário de medo e tensão, com tiroteios entre policiais e traficantes e mortes. Ao longo desta terça-feira, dois homens que, segundo a polícia, são suspeitos de envolvimento com o tráfico, foram mortos em trocas de tiros. Oito pessoas foram presas e dois menores, detidos. Quatro dos capturados – dois homens e os dois menores -, que agiam em Copacabana, na zona sul, teriam, segundo a Secretaria de Segurança Pública, ligação direta com os ataques. Um dis adultos presos revelou ter recebido ordens de um presídio federal para incendiar carros. O quarteto é morador do morro Pavão-Pavãozinho, que já recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Ao todo, 16 favelas foram alvo das operações, com 300 policiais militares e 140 agentes civis. Como de costume nesse tipo de ação pontual, o resultado, além das prisões, é recolhimento de armas, explosivos e drogas. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, alertou que as ações de agora são apenas emergenciais. “Sabemos que as ações pontuais de repressão não resolvem o problema. O que resolve é um plano estratégico. Estamos completando dois anos de um projeto de redução da criminalidade com excelentes resultados”, afirmou.

As operações em favelas, que, apesar de não totalmente desativadas, eram cada vez mais raras, substituídas pelas ações de ocupação permanente para criação de UPPs, têm alguns efeitos danosos sobre a rotina da cidade. Dez escolas públicas ficaram fechadas, com 7 mil alunos prejudicados. Estabelecimentos comerciais de vários bairros ficaram fechados e até os trens tiveram funcionamento prejudicado.

No fim da tarde de terça-feira, a concessionária que administra o serviço dos trens urbanos na região metropolitana, a Supervia, anunciou pelos alto-falantes que o transporte não seguirá até a estação final, na zona oeste, por causa de tiroteio em um dos ramais. Policiais que chegavam à estação de Senador Camará foram atacados a tiros por bandidos. Dois carros da Polícia Militar foram atingidos por tiros na zona norte da cidade.

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Ao todo, bandidos promoveram, desde o domingo, nove ataques. Na madrugada de domingo, um homem morreu em Magé, em um arrastão. No mesmo dia, à tarde, criminosos incendiaram três carros na Linha Vermelha e fizeram um arrastão na Pavuna, bairro da zona norte. Horas depois, dois carros foram roubados na zona sul. Na segunda-feira, mais três carros foram incendiados em Irajá, na zona norte, e uma cabine da PM foi atacada com tiros próximo do local. Na manhã de terça-feira, um carro amanheceu incendiado na Praça da Bandeira, na zona norte.

VEJA ONDE OCORRERAM OS ATAQUES:

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