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Tiroteio entre militares e suspeito fere menina no Rio

Por Tiago Rogero

Rio – Uma menina de 7 anos foi atingida por estilhaços de bala ontem pela manhã, quando ia para a escola na companhia do irmão, de 11, durante troca de tiros entre um suspeito e militares da Força de Pacificação na Vila Cruzeiro, no conjunto de favelas da Penha, zona norte do Rio.

A comunidade, ao lado do complexo do Alemão, também foi ocupada pelo Exército em novembro do ano passado. De uniforme escolar, ferida na panturrilha esquerda, a garota foi atendida no hospital e depois liberada.

Segundo o Exército, uma equipe de quatro militares da Força fazia patrulhamento de rotina pela rua nove quando se deparou com um “homem em atitude suspeita”. Ao perceber a chegada dos militares, o suspeito teria atirado contra a tropa, um dos militares reagiu e disparou de volta. O homem, ainda não identificado, conseguiu fugir.

“Não sabemos quem é porque foi tudo muito rápido. No meio da perseguição, quando perceberam que havia alguém ferido, os militares voltaram as atenções ao socorro da criança”, disse o relações públicas da Força de Pacificação, capitão Rodrigo Sobral. No local, foram apreendidos sete papelotes de cocaína e uma trouxinha de maconha.

Após ser atendida no hospital, a menina foi levada pelo pai à unidade da 22ª DP (Penha) que fica na sede da Força de Pacificação, no Alemão.

A dona de casa Maria José dos Santos, de 32 anos, mãe da menina, disse que ouviu somente um tiro. “Estava dentro de casa, escutei o tiro e em seguida ouvi minha filha gritar”, disse. Uma cápsula de pistola 9mm, que seria do criminoso, foi encontrada no local pela perícia.

Segundo o delegado José Pedro Costa, os estilhaços que feriram a menina são do disparo efetuado pelo fuzil .762 de um dos militares.

O Exército informou a instauração de inquérito policial militar (IPM) para apurar de que arma partiu o tiro. Os quatro militares foram afastados do patrulhamento e vão desempenhar funções administrativas, até a conclusão do IPM.

Tráfico

A rua nove é a mesma onde militares gravaram, há menos de 15 dias, imagens de traficantes vendendo drogas. “O policiamento ali foi reforçado, mas a patrulha não fica estacionada e, pelo horário, que não é de muito movimento, até estranhamos a presença desse rapaz lá”, disse o capitão Sobral.

Apesar da ocupação da Penha e do Alemão, o próprio Exército admite que o tráfico continua, ainda que “miúdo”, nas duas comunidades. Na semana passada, traficantes tentaram invadir os morros da Baiana e Adeus, que desde então estão ocupados pela Polícia Militar.