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Tibetanos cometem imolação em Lhasa

Um tibetano morreu e outro está gravemente ferido, após se imolarem com fogo no domingo em Lhassa, a capital do Tibete, que até este momento não havia registrado nenhum ato desesperado como este em resposta à tutela implacável da China.

Os dois atearam fogo aos próprios corpos no centro desta cidade histórica. Lhasa é a atual capital da Região Autônoma do Tibete, localizada no sudoeste da China.

A cidade, quase sempre fechada à imprensa estrangeira e aberta aos turistas proprietários de um passe, está sob forte esquema de segurança desde o início da violência em 2008.

Os policiais controlaram as chamas em poucos minutos e um dos tibetanos, chamado Dargye, sobreviveu, segundo a agência oficial Xinhua.

Dargye é natural de Aba, área tibetana da província de Sichuan (sudoeste), onde vários atos de imolação foram registrados desde o ano passado, enquanto o outro, Tobgye Tseten, nasceu na província de Gansu (noroeste).

O ato desesperado dos dois tibetanos (dois jovens monges, segundo a organização Radio Free Asia) foi cometido no Templo de Jokhang, um ponto de peregrinação, de acordo com a ONG com sede nos Estados Unidos.

“Lhasa está agora sob a vigilância da polícia e das forças paramilitares e a situação está muito tensa”, descreveu um tibetano no exílio à RFA.

As autoridades locais não quiseram comentar o assunto.

Um gerente de hotel disse à AFP que a comunicação por telefones móveis foi bloqueada no bairro do mosteiro budista Jokhang, o coração espiritual de Lhasa.

“Há muitos policiais que vão reforçar os controles de identidade”, disse.

As pesquisa na internet contendo a palavra “Dazhaosi”, o nome chinês do templo, também foram bloqueadas nesta segunda-feira pelo sistema de censura das autoridades chinesas.

A autoridade política da região, Hao Peng, condenou os sacrifícios e afirmou serem “atos destinados a separar o Tibete da China”.

Questionado, um porta-voz da diplomacia chinesa afirmou “não estar informado” sobre as recentes imolações.

“A situação no Tibete é estável”, declarou Liu Weimin.

“Algumas pessoas, principalmente no exterior, tentam sabotar esta estabilidade”.

O grupo de defesa dos tibetanos Free Tibet afirmou que “a primavera tibetana (tinha) ganhado o coração da capital do Tibete”.

Lhasa foi palco de violência anti-chinesa em 2008. Estes eventos começaram em 10 de março, aniversário da revolta contra a autoridade de Pequim, em março de 1959, antes de se espalhar para outras partes da China habitadas por minorias tibetanas.

Mais de 30 tibetanos, em sua maioria monges budistas, cometeram atos de imolação com fogo, ou tentaram, desde março de 2011 nas zonas tibetanas chinesas.

Qi Zhala, o líder do Partido Comunista em Lhasa, ordenou no início deste ano um reforço da vigilância policial dos mosteiros no Tibete, assim como o aumento da repressão contra as atividades “separatistas” comandadas, segundo ele, pelo Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos exilado.

Muitos tibetanos não toleram mais o que consideram um crescente domínio da dinastia Han, a maioria étnica na China, e a repressão de sua religião e sua cultura.