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Texto lido por Maria Antônia, mulher de Roberto Civita, na missa de sétimo dia

Roberto, RC, Robert, Rob, Roby, R, Civita, Dr. Roberto, meuLovinho, seja qual fosse a maneira como era chamado, sua postura era sempre a mesma: alegre, otimista, positivo, curioso, gentil, carinhoso, conciliador, e obvio muito charmoso.

Foram 18 anos de muita alegria, amor e muito aprendizado.

Sua paixão: palavras. As colecionava com grande entusiasmo e as guardava em uma caixa como um tesouro.

Talvez o único leitor assíduo da página “etimologia” da revista Caras.

Eu dizia que ele era meu Oxford EnglishDictionnary “ambulante”!

Conhecia as obras de Shakespeare como ninguém, e usava trechos como metáforas da vida.

Algumas vezes observei ele editando emails que havia recebido de amigos, antes de respondê-los.

Lia cada uma de suas revistas, e quando não concordava com alguma palavra, circulava-a com seu inseparável lápis vermelho, arrancava a página e junto com seu famoso bilhete verde enviava um comentário ao respectivo editor.

Lia tanto nas horas vagas, que escolheu o seu carro baseado no amortecedor e luz interna, para que pudesse ir lendo nas idas e vindas da Abril.

Roberto se entusiasmava com tudo. Desde um postit com cor diferente a uma nova ideia, nova revista ou um novo site. A vida o estimulava, queria saber tudo, conhecer tudo!

Jamais vi Roberto realmente triste ou desanimado com qualquer situação, sempre encarava positivamente as dificuldades.

Fossem elas situações complexas políticas, financeiras ou pessoais.

Lembro-me do dia em que chegando em casa me disse: “Mia, I think that I’m depressed! Howshould I feel? “

Após nosso jantar e um risotto e um bom vinho italiano, ele sorriu e disse: “Estou much better! Já passou… acho que não era depressão”.

Jamais criticou alguém que tenha lhe destratado ou chateado.

Sempre perdoava e não guardava rancores de ninguém.

Algumas vezes me repetiu: “Somos apenas grãos de areia neste universo de bilhões de galáxias”.

Apaixonado pelo Brasil acreditava que nosso país esta no caminho correto, mas que ainda levará um bom tempo para que a população brasileira tenha um bom nível de educação.

Para ele trabalhar, era um prazer.

Educar: uma meta na sua vida.

Dizia sempre que se não tivesse tido a oportunidade de trabalhar na Abril, ele pagaria para estar lá, e que tinha o melhor emprego do mundo, onde ele podia fazer todas as perguntas que quisesse 24 hs por dia!

Ainda jovem fez um teste de aptidão e o resultado foi surpreendente!

Foi lhe dito que ele poderia ser um fantástico contador ou um grande líder espiritual.

Nem um, nem outro, mas foi um grande editor/empresário e acima de tudo, um grande homem.

Dizia-se ateu, mas era conhecedor nato da bíblia e livros sagrados.

Foi amigo de Dom Paulo Evaristo Arns, do padre Charbonneau e atualmente do rabino David que lhe disse: “Roberto, você é mais rabino que qualquer outro rabino que já conheci! Pare de dizer que é ateu!”

Quando Roberto cursou faculdade nos EUA, me contou que ocupava suas manhãs de domingo, indo a todos os diferentes cultos religiosos que haviam em Houston.

Bondade e curiosidade são as palavras que definem Roberto.

Disse a ele algumas vezes: “Quando estivermos juntos no céu, você estará numa nuvem tão mais alta que a minha, que nem com uma escada magirus eu conseguirei alcançá-lo”.

Meu Lovinho, we’ll miss you! Take care!

Termino lendo a oração de Santo Agostinho:

“A morte não é nada.

Eu somente passei para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu. Vocês são vocês.

O que eu era pra vocês, eu continuarei sendo.

Deem-me o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.

Vocês estão vivendo no Mundo das Criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra.

A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.

Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que eu estou apenas fora de suas vistas?

Eu não estou longe,

apenas estou do outro lado do Caminho…

Você que ai ficou, siga em frente,

a vida continua, linda e bela como sempre foi. “