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Testemunha afirma que pastor Marcos Pereira tramou assassinato de secretário do governo do Rio

Ex-funcionário da Assembleia de Deus dos Últimos Dias afirmou à polícia que grupo articulou a morte de Astério Pereira dos Santos, que impedia a entrada do pastor em presídios de Bangu

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 10 Maio 2013, 16h55

A lista de suspeitas de crimes que pesa sobre o pastor Marcos Pereira cresce à medida que são revelados os depoimentos de testemunhas ouvidas pela Polícia Civil. Todas apresentam detalhes que compõem um mosaico de farsas nas áreas em que o pastor atuava com a Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Como revelou o site de VEJA, o pastor está sendo acusado de ordenar rebeliões e ataques para amedrontar a população do Rio. O ex-funcionário que fez esses relatos à Delegacia Especial de Combate às Drogas (DCOD) também atribuiu um plano de assassinato ao ex-patrão. Segundo ele, Marcos Pereira tramou a morte do ex-secretário de Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos.

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O motivo do crime seria o seguinte: Astério, que suspeitava do envolvimento do pastor com bandidos, proibiu a entrada dele nos presídios de Bangu, por temer que saíssem do presídio mensagens para traficantes soltos. Marcos Pereira passou cerca de quatro anos sem poder fazer suas pregações em Bangu, até que, por intermédio do grupo AfroReggae, que já atuou em parceria com o pastor, o acesso ao sistema penitenciário foi liberado – o que o fez abortar o plano do assassinato.

A testemunha contou à polícia que participou de uma reunião com o pastor Marcos, Silvana Santos da Silva – irmã do traficante Marcinho VP e braço-direito do pastor – e outros membros da ADUD em que grupo planejava a morte de Astério. De acordo com a testemunha, policiais que trabalhavam com o então secretário de Administração Penitenciária “entregariam toda a rotina (do secretário) e seriam muito bem pagos para matá-lo”. A testemunha relatou que, durante a reunião, afirmou-se que “Astério impossibilitava Marcos de entrar em contato direto com os traficantes presos” e que, por esse motivo, “o pastor deixava de tratar de assuntos importantes, como os “toques”. Ou seja, a transmissão de mensagens entre traficantes presos e o restante da quadrilha.

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Na época, o pastor Marcos Pereira, que hoje está preso por dois estupros e é investigado por associação ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e três homicídios, era conhecido no Rio por “salvar” traficantes do crime e por recuperar dependentes de droga. Marcos Pereira, como relata a testemunha, tinha “livre acesso com telefones celulares e câmera filmadoras” a presídios e delegacias, exceto aos presídios de Bangu. Segundo a testemunha, Astério acreditava que o pastor “poderia telefonar ou levar filmagens de traficantes presos dando ordens para as comunidades ocupadas pelo tráfico”.

Na mesma reunião, segundo a testemunha, o grupo reclamou que a impossibilidade de entrar nos presídios de Bangu impedia o pastor de discutir com os traficantes presos “considerações a respeito do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro”.

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