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Terça de Carnaval tem protesto de catadores de lixo em SP

Com Avenida Faria Lima ainda sem a multidão dos blocos, grupo fez manifestação cobrando melhores condições de trabalho da prefeitura de São Paulo

Com o Largo Batata ainda sem foliões, a terça-feira de Carnaval começou com um protesto em São Paulo. Os catadores de materiais recicláveis se reuniram para pedir mais apoio de prefeitura. “As cooperativas conveniadas da prefeitura não estão recebendo caminhões nem espaço para trabalhar”, reclamou Eduardo Ferreira de Paula, líder do Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis de São Paulo.

“Prestamos um serviço recolhendo o lixo que iria para aterros e seria muito mais caro para a prefeitura”, explicou o líder. O grupo composto por catadores associados e independentes usava o grito de guerra “eu sou catador, com muito orgulho, com muito amor”, enquanto desfilava pela Avenida Faria Lima com faixas de protesto e uma camisa exigindo pagamento aos catadores, inclusão social e com o lema “Cidade linda sem catador é lixo”.

O Carnaval foi visto como o momento certo para o protesto. “Quase todo o resíduo do Carnaval é reciclável. Queremos ser pagos pelo serviço porque ajudamos na limpeza da cidade”, disse o líder do movimento. “Estamos um pouco perdidos pois não sabemos ao certo qual a proposta da prefeitura. Queremos algo mais concreto, como a liberação dos caminhões de coleta, como existia antigamente”.

O último contrato entre catadores e prefeitura veio em 2016, na gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), mas foi encerrado no último mês, sob a gestão de João Doria (PSDB). Em nota, a prefeitura informou que “em dezembro do ano passado, o Tribunal de Contas do Município (TCM) suspendeu a licitação para a locação de caminhões gaiola, utilizados pelas cooperativas que integram a rede da AMLURB (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) para realizar a coleta de recicláveis porta a porta. A AMLURB informa que prestou todas as informações solicitadas e aguarda a definição do TCM para dar prosseguimento à licitação.”

A AMLURB também afirmou que as concessionárias do serviço de coleta seletiva permanecem com o serviço, estendendo-o temporariamente, desde o dia 9 de janeiro, para as áreas atendidas pelas cooperativas de catadores. “Esses catadores, por sua vez, estão intensificando os trabalhos de conscientização e educação ambiental para o manejo de resíduos sólidos. O material reciclável coletado pelas concessionárias é entregue às cooperativas para que façam a triagem e a comercialização do mesmo”, diz a nota. Entre os dias 9 e 12 de fevereiro foram recolhidas 784,76 toneladas de lixo proveniente do carnaval de rua e do Sambódromo.