Temporal paralisa hospitais, mata idoso e leva Ribeirão Preto a decretar emergência
Vendaval com rajadas que podem ter ultrapassado 120 km/h deixou bairros sem energia, água e telefonia; rede hospitalar teve atendimento de urgência comprometido
O temporal que atingiu Ribeirão Preto na madrugada desta sexta-feira, 24, provocou um cenário de colapso parcial na infraestrutura da cidade. Além da morte de um homem de 82 anos, atingido pelo desabamento da estrutura de um imóvel vizinho enquanto dormia, a tempestade comprometeu o funcionamento de hospitais, interrompeu o fornecimento de energia, água e telefonia e levou o prefeito Ricardo Silva (PSD) a decretar estado de emergência.
Durante entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta, o prefeito afirmou que, após os danos provocados pela chuva, apenas as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) conseguiam receber casos de urgência e emergência. Segundo ele, Ribeirão Preto, município de cerca de 750 mil habitantes, contava naquele momento com apenas treze leitos de urgência em funcionamento.
“Nós estamos com o HC interditado neste momento. A Santa Casa está funcionando com gerador, o Santa Lydia também, e a Beneficência suspendeu os exames do setor de imagem. Não há nenhum hospital em condição de atendimento de urgência e emergência. Essa é hoje a nossa maior preocupação”, afirmou.
De acordo com a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil, a tempestade durou cerca de 20 minutos, acumulou 21 milímetros de chuva e foi acompanhada por rajadas intensas de vento. Na estação meteorológica de Pradópolis, município vizinho, a velocidade chegou a 121 quilômetros por hora. Ainda não há confirmação se o fenômeno foi provocado por um ciclone, hipótese que segue sendo analisada pela Defesa Civil estadual.
O coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Otávio Augusto de Lima Seminate, classificou o episódio como um evento de intensidade incomum para a região.
“Provavelmente nós não acompanhamos um vento dessa intensidade desde o episódio de 1994”, afirmou, ao informar que a cidade registrou um óbito, centenas de árvores e fiações derrubadas e danos espalhados por diversos bairros.
O homem morto morava no Jardim Salgado Filho. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, ele dormia quando a estrutura localizada ao lado de sua residência cedeu e atingiu o imóvel. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas a vítima morreu no local.
Além do impacto sobre a rede hospitalar, o temporal provocou interrupções nos serviços de energia elétrica, abastecimento de água, telefonia e internet. Também houve registros de queda no sinal de emissoras de rádio, enquanto árvores derrubadas bloquearam ruas e afetaram o trânsito em diferentes regiões da cidade.
Morador de Ribeirão Preto há quatro décadas, Uender Soranzo afirmou a VEJA que não via um vendaval de proporções semelhantes desde 1994. “A cidade está um caos em alguns pontos, com muitas quedas de árvores, bairros sem energia e sem água. Vários condomínios tiveram danos e há muitas ruas com o trânsito afetado”, relatou.
A prefeitura instalou um comitê de gestão de crise para mapear os prejuízos e coordenar as ações de resposta. Segundo a Defesa Civil, o levantamento dos danos deverá subsidiar eventuais pedidos de recursos aos governos estadual e federal.






