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Telhas com amianto são apreendidas em depósito no RJ

Por Felipe Werneck

Rio de Janeiro – Cerca de 3 mil toneladas de telhas com amianto foram apreendidas em fiscalização realizada pela Secretaria de Estado do Ambiente na fábrica da Eternit em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro, que foi multada. Segundo a Coordenadoria de Combate aos Crimes Ambientais da pasta, o valor da multa pode chegar a R$ 1 milhão.

A operação teve o apoio de policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e do Batalhão Florestal. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a empresa estava funcionando em desacordo com a lei estadual 3579/01, que determina que qualquer produto produzido à base de amianto deve ter anotações visíveis relacionadas às suas características, incluindo a palavra “amianto” e as expressões “evite criar poeira” e “risco de câncer e doença pulmonar se inalado”.

O Grupo Eternit divulgou uma nota em que classifica a autuação de sua fábrica como “atitude unilateral da Secretaria”. “A companhia esclarece que tomará as medidas cabíveis com base na Lei Federal 9055/95, que permite e regula o uso do amianto crisotila no Brasil”, prossegue a empresa.

De acordo com a Eternit, todos os produtos da marca que têm em sua composição o amianto crisotila “seguem a norma regulamentadora do Ministério do Trabalho e são identificados conforme Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente”. A empresa alega que a utilização do amianto em suas fábricas segue “rígidos padrões de segurança que superam as exigências legais”.

“O ideal é banir o amianto assim como fizeram outros países, mas enquanto isso não ocorre temos que esclarecer a população que amianto pode matar. A expectativa de vida de uma pessoa que desenvolve câncer pulmonar devido ao amianto é de no máximo um ano”, afirmou Minc após a operação. Segundo a Secretaria, havia funcionários trabalhando sem máscaras, acessório necessário para a manipulação do amianto. “A Eternit será notificada e deverá apresentar uma relação de todos os funcionários que foram expostos ao material desde 2004”, disse.