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Táxi pode subir em 12 capitais e alterar ranking das tarifas

Aumento do combustível impulsiona reajuste; São Paulo tem a maior preço no congestionamento, mas perde para Boa Vista nas corridas com pistas livres

Por Fernanda Nascimento 15 abr 2011, 23h23

Clique na imagem para ver a tabela completa do ranking das corridas de táxi pelo Brasil

Os passageiros de táxis já começam a sentir no bolso os efeitos da alta no preço do álcool e da gasolina nos postos de combustível. Um levantamento feito pelo site de VEJA revelou que pelo menos doze capitais do país já estão negociando um reajuste nas tarifas – que pode passar de 30% em algumas cidades. Desde o início do ano, outras cinco subiram os preços registrados no taxímetro e duas aguardam o decreto municipal para cobrar novos valores.

Enquanto algumas prefeituras ainda avaliam os aumentos, Boa Vista lidera o ranking de preços e é a corrida mais cara do Brasil. Um trajeto de 5 quilômetros na capital de Roraima sai mais caro que percorrer a mesma distância em um dia sem trânsito em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Talvez por isso os motoristas ofereçam por lá um benefício pouco comum em outras cidades: o táxi-lotação. O serviço funciona como um ônibus e, com o pagamento de uma taxa fixa, o passageiro divide o carro com outras pessoas até chegar ao seu destino.

Ao lado de Boa Vista, as outras seis capitais da região norte aparecem entre as onze tarifas mais caras do país. O custo elevado para o transporte do combustível até essas cidades e a pequena quantidade de veículos movidos a gás natural sujeitam os taxistas a aumentar o preço da corrida. “Pedimos um reajuste em dezembro, mas tivemos que renegociar o valor por conta do aumento do combustível”, explica o presidente do Sindicato dos Taxistas do Acre, Telnízio Bonfim Machado. “Nossos postos já são um dos mais caros do país. Agora está inviável.” Um acréscimo de 32% já foi aprovado pela prefeitura e deve transformar nas próximas semanas a capital do Acre, Rio Branco, no serviço de táxi mais caro do país.

Na hora do rush – São os paulistanos os que mais sofrem no congestionamento a bordo de um táxi. Além de ter um dos maiores índices de lentidão do Brasil, eles são os que pagam mais caro pela corrida na hora do trânsito. Trafegar durante uma hora nas ruas lotadas da capital de São Paulo sai duas vezes o preço do mesmo congestionamento em Recife ou Florianópolis.

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No caso da ilha catarinense, a explicação tem relação com as mudanças que o trânsito sofreu nos últimos anos. O preço não acompanhou o congestionamento. “O valor da tarifa de espera foi calculado há quase dez anos, quando as ruas da cidade estavam sempre livres”, explica o vice-presidente do Sindicato dos Taxistas da Florianópolis, João Lídio Costa.

Sobe e desce – Algumas cidades estabelecem regras para evitar abusos no reajuste. Em Porto Alegre, por exemplo, uma lei municipal só permite que os preços subam a cada doze meses. Mas uma exceção pode fazer com que o taxímetro fique mais caro na capital do Rio Grande do Sul pela segunda vez em oito meses. “Quando o índice médio dos combustíveis sobe mais de 8%, temos o direito solicitar o reajuste antes do fim do prazo”, afirma Luiz Nozari, presidente do Sintaxi de Porto Alegre. “Entramos com o pedido, pois não podemos continuar arcando com esse gasto.”

Em outras regiões, os taxistas seguram o valor das tarifas para não perder clientes. Depois de cinco anos sem reajustes, Manaus inaugurou em fevereiro uma nova tabela de preços. Mas o valor inicial cobrado no taxímetro, conhecido como bandeirada, não mudou para não assustar os passageiros. O sindicato dos taxistas de Salvador, na Bahia, tem estratégia semelhante: propôs um aumento no custo do quilômetro, tarifa que o cliente só percebe ao fim da corrida.

Susto no posto – O aumento do preço do álcool nesta época do ano é comum, por conta do período de entressafra da cana-de-açúcar. Mas neste verão, os consumidores se assustaram com a proporção do aumento. “É um ano ruim”, diz Mirian Bacchi, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). “Isso é reflexo de condições climáticas adversas e do desincentivo à estocagem do álcool para este período.”

Desde outubro do ano passado, o litro do etanol nas usinas ficou quase 50 centavos mais caro – descontada a inflação do período. Esse valor deve começar a baixar nas próximas semanas, mas a gasolina pode encarecer devido ao preço do barril de petróleo. Enquanto o governo quer manter o litro no mesmo patamar, a Petrobrás pressiona por um reajuste.

Mesmo que o custo do álcool comece a cair, os taxímetros não voltarão aos patamares anteriores ao reajuste. “O combustível é um gatilho para o aumento”, afirma Luiz Nozari, do Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre. “As tarifas são calculadas com base no Índice Geral de Preços do Mercado.” Quem sai perdendo com o aumento, no fim das contas, são os passageiros.

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