Tarcísio diz esperar que tenente-coronel acusado de feminicídio ‘apodreça na cadeia’
PM aposentou Geraldo Leite Rosa Neto com salário integral, de acordo com portaria publicada ontem
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta quinta, 2, esperar uma punição exemplar ao tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
“A gente espera é que realmente haja a punição severa, é que ele perca realmente o posto, a patente. E quando isso acontece, é como se ele tivesse morrido para a força”, afirmou o governador. “Quem é o beneficiário depois daquilo que foi objeto da contribuição ao longo do tempo são os familiares, porque a nossa ideia é que ele apodreça o resto da vida na cadeia.”
A declaração do governador foi no mesmo dia em que a Polícia Militar do estado publicou a portaria que transfere Geraldo para a reserva com salário integral. Em fevereiro deste ano, o salário dele foi de aproximadamente 29 mil reais, segundo dados do Portal da Transparência.
Há uma investigação em curso na Corregedoria da Polícia Militar, que pode culminar na expulsão de Geraldo da corporação. Nesse caso, ele perderia o direito aos vencimentos. No entanto, a família dele continuaria recebendo valores da Previdência, como lembrou Tarcísio. A interrupção desses pagamentos dependeria de decisão judicial.
Relembre o caso
A soldado Gisele foi morta com um tiro na cabeça em fevereiro, no apartamento onde vivia com o tenente-coronel na zona leste da capital paulista. Foi ele que chamou a polícia no dia da ocorrência, dizendo que a esposa teria se suicidado, versão que foi desmentida pela perícia.
Vizinhos disseram ter ouvido o disparo da arma meia hora antes de o tenente ter acionado as autoridades. As câmeras de segurança do prédio também registraram que policiais subordinados a Geraldo foram até o apartamento, onde teriam modificado a cena do crime.
A necropsia da soldado também acusou marcas de agressão. Mensagens encontradas no celular dela enviadas pelo marido mostraram uma rotina de violências verbais, um comportamento que o Ministério Público classificou como “machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário”.
Geraldo foi preso preventivamente no último dia 18 e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.







