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Suspeitos de integrar grupo negam envolvimento na morte de Marielle

Uma das hipóteses da Polícia Civil é de que o Escritório do Crime teria sido contratado para executar Marielle

Apontados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como membros do Escritório do Crime, os policiais militares Ronald Paulo Alves Pereira e Maurício da Silva Costa negaram envolvimento com a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes, executados em março do ano passado. Eles estão presos desde o dia 23 de janeiro e prestaram depoimento ontem na Delegacia de Homicídios. Entre os investigadores, havia a expectativa de que, uma vez presos, eles pudessem dar informações mais consistentes sobre o caso episódio – até sob a forma de uma colaboração premiada. Novos depoimentos deles não estão descartados.

Ronald, que é major, e Maurício, tenente reformado, são apontados como integrantes de uma das mais antigas milícias do Rio, que atua na comunidade de Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital. O líder da quadrilha e um dos principais suspeitos de ter participado da morte da política é o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega, que está foragido. Os três fazem parte dos 11 dos denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado, corrupção ativa e organização criminosa no âmbito da Operação Intocáveis.

Ronald é apontado como “número 2” na hierarquia do ‘Escritório do Crime’, grupo de matadores de aluguel que estaria por trás de diversos homicídios não esclarecidos no Rio de Janeiro – relacionados principalmente às disputas do jogo do bicho na cidade. Durante o depoimento, o major teria se queixado do fato de “tentarem jogar a morte da vereadora em suas costas”.

Uma das hipóteses da Polícia Civil é de que o grupo teria sido contratado para executar Marielle. Nas palavras de um envolvido na apuração do caso, o escritório seria um “trabalho freelancer” da quadrilha de milicianos que age em Rio das Pedras e teria em Adriano Nóbrega seu principal líder. De perfil discreto e avesso às redes sociais, o ex-capitão do Bope é considerado um exímio atirador e é temido até dentro da Polícia Militar.

A Polícia Civil mantém sigilo sobre as investigações acerca da morte de Marielle que, no mês que vem, completarão um ano. Na corporação, é grande a expectativa para que o caso tenha um desfecho antes da data.