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Suspeito de estuprar sobrinha de dez anos confessou crime, diz polícia

Segundo duas fontes policiais que acompanham o caso, ele se justificou dizendo que tinha uma 'relação consensual' com a garota

Por Eduardo Gonçalves - Atualizado em 19 ago 2020, 19h07 - Publicado em 19 ago 2020, 19h00

Em depoimento de mais de duas horas em Vitória (ES), o suspeito acusado de estuprar e engravidar a sobrinha de 10 anos admitiu o crime. Segundo duas fontes policiais que acompanham o caso, ele se justificou dizendo que tinha uma “relação consensual” com a garota. Pelos olhos da lei – e da moral e da ética – não há possibilidade de relacionamento sexual com crianças menores de 14 anos, o que é considerado uma prática criminosa, com ou sem consentimento.

Às autoridades, a garota relatou que era abusada e sofria ameaças do tio. Ele manteve a versão do que disse em vídeos divulgados nas redes e tentou imputar também a outros membros da família o crime sexual. A polícia, no entanto, descarta essa versão.

O homem já foi indiciado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público do Espírito Santo por estupro de vulnerável e ameaça, com o agravante de ser familiar e ter gerado uma gestação.

O caso aconteceu em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. No último dia 7, a menina foi ao hospital por causa de dores abdominais e descobriu que estava grávida de cinco meses. Na ocasião, ela contou às autoridades sobre o abuso e o suspeito fugiu.

O caso ganhou repercussão nacional depois que grupos de fundamentalistas religiosos tentaram impedir a menina de realizar um aborto legal – autorizado judicialmente -, indo diretamente à sua casa e protestando na frente dos hospitais.

Na última terça-feira, o homem foi capturado em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a cerca de 650 quilômetros de São Mateus. Ele decidiu se entregar ao perceber que poderia ser linchado na rua em função da repercussão do crime. Ele já tinha uma condenação por tráfico de drogas e associação ao tráfico, que lhe rendeu nove anos de cadeia.

O homem era casado com a irmã do pai da vítima e tem um filho e uma filha pequenos. Até agora ainda não constituiu advogado para defendê-lo. No processo por tráfico, quem pagava os honorários advocatícios era a sua mulher, que se recusou a ajudar neste caso por estupro.

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