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Suspeito de comandar tráfico internacional do PCC é preso em Angra

Conhecido como André do Rap, acusado estava em mansão no litoral fluminense e usava helicópteros e lancha de luxo

Por Da Redação, Estadão Conteúdo - 15 set 2019, 17h46

A Polícia Civil de São Paulo prendeu na manhã de hoje André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, em uma mansão em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. André do Rap é acusado de comandar a exportação de drogas da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para a Europa. Segundo as investigações, André embarcava as drogas em navios no Porto de Santos, no litoral paulista, com destino a portos no sul do continente europeu, principalmente na Itália.

André foi levado para São Paulo em um dos dois helicópteros apreendidos durante a operação policial que culminou com sua prisão. Ele era procurado pela Polícia Civil paulista desde 2017. Outros dois suspeitos, que não tiveram a identidade divulgada, foram presos e estão sendo transferidos para a cidade de São Paulo em viaturas policiais.

A polícia investiga uma possível ligação do membro do PCC com a máfia italiana. “Dois chefes da ‘Ndrangheta, que é a máfia da Calábria (no sul da Itália), foram presos há 40 dias na Baixada Santista pela Polícia Federal. A gente acha que pode ter elo com ele (André do Rap)”, afirmou o delegado Fábio Pinheiro, da Divisão Antissequestro do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope), responsável pelas prisões.

De acordo com o delegado, André do Rap é um dos principais líderes do PCC no tráfico internacional de drogas. “Não tem só uma quadrilha. Dentro do PCC tem vários que mandam droga para fora”, disse Pinheiro. “A gente acredita que ele seja responsável por um desses grupos.”

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O delegado lembrou que um dos grupos foi responsável pelo assassinato de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, que era considerado o principal chefe do PCC fora da cadeia. Gegê e o seu comparsa, Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram mortos em uma emboscada em um território indígena em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, em fevereiro do ano passado. A polícia investiga se outros ramificações do PCC controlam o tráfico internacional no Porto de Santos.

Lanchas e helicópteros

Pinheiro explicou que a Polícia Civil descobriu o paradeiro de André do Rap ao investigar o dono de uma lancha avaliada em R$ 6 milhões. Segundo o delegado, a embarcação estava em nome de uma empresa cuja sede é um casarão abandonado no centro de Santos.

“Ela está em nome de um empresário, que tem uma moto CG (uma motocicleta modesta)”, afirmou o delegado. “Como um cara que tem uma moto CG tem uma lancha de R$ 6 milhões? A gente acredita que ele (André do Rap) usava esses laranjas para lavar o dinheiro.”

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Além da lancha, um helicóptero que estava alugado pelo traficante foi apreendido pela polícia e levado ao Aeroporto Campo de Marte, na zona norte da capital. Nenhuma arma foi encontrada na casa.

André do Rap teve a prisão temporária decretada em abril de 2014, junto com outros dez suspeitos, após a deflagração das Operações Hulk e Overseas pela Polícia Federal. Ele era apontado como líder do PCC na Baixada Santista, com ligação com traficantes da zona noroeste de Santos e do Morro Nova Cintra.

As investigações, à época, apontavam que traficantes tinham linha de fornecimento de cocaína entre a Bolívia e São Paulo, e haviam feito uma aliança com o PCC da Baixada Santista para conseguir uma rota para exportar a droga.

A facção, que atua nos presídios paulistas, havia cooptado pessoas que trabalhavam em postos aduaneiros na zona portuária para trabalhar para o esquema, segundo a polícia.

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