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Supremo autoriza inquérito contra Mercadante e Aloysio

Dono da UTC Engenharia afirmou em depoimento que o ministro petista e o senador tucano receberam dinheiro de caixa dois nas eleições de 2010

Por Laryssa Borges - 22 set 2015, 18h51

O governo Dilma Rousseff tem a partir de hoje mais um ministro investigado formalmente por autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça-feira, o ministro Celso de Mello determinou a abertura de inquérito contra o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. O decano da Corte também liberou a investigação contra o senador de oposição Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Os dois são alvo de inquérito por suspeitas de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Além do petista, o governo Dilma também tem o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, investigado por decisão da mais alta Corte do país.

Os pedidos de inquérito contra Mercadante e Aloysio foram feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em consequência do depoimento prestado pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, o chefe do chamado Clube do Bilhão. Para Janot, a riqueza de detalhes do empreiteiro na descrição do caixa dois utilizado pela UTC para abastecer campanhas políticas indicam que, se os dois políticos não atuaram diretamente na arrecadação dos recursos ilegais, pelo menos “assentiram na solicitação por intermédio de seus representantes de campanhas”. Em acordo de delação premiada, o empresário disse que repassou dinheiro de caixa dois para as campanhas de Mercadante e Aloysio nas eleições de 2010. Na versão de Pessoa, Mercadante estava presente em uma reunião em que foi discutido o repasse, via caixa dois, de 250.000 reais para a campanha dele – naquele ano, o petista disputou o governo de São Paulo. Os dois negam as denúncias.

As investigações iniciais da Procuradoria Geral da República indicam que Mercadante e Aloysio não atuaram diretamente no desvio de recursos da Petrobras, esquema investigado no escândalo do petrolão, e por isso o caso foi distribuído ao ministro Celso de Mello, e não ao relator da Lava Jato no Supremo, Teori Zavascki.

Em nota, o senador tucano afirmou que “a investigação é bem-vinda para afastar qualquer dúvida quanto à correção da prestação de contas da campanha de 2010 que, aliás, já foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Além de autorizar a aberura de inquérito, o ministro Celso de Mello também determinou o desmembramento e envio para a primeira instância das investigações em relação a outras autoridades citadas pelo delator Ricardo Pessoa, como a ex-tesoureiro das campanhas de 2006 e 2010 do PT, José de Fillipi Junior, o ex-deputado e mensaleiro Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e o ex-senador e ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB).

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