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Supervisor classifica vazamento como “incidente”

Por Felipe Werneck

Rio (AE) – O supervisor de Meio Ambiente da Chevron, Luiz Pimenta, classificou hoje de “incidente” o vazamento de óleo no Campo de Frade e afirmou que as técnicas de segurança adotadas pela empresa na Bacia de Campos são as mesmas aplicadas internacionalmente. Segundo ele, o envio de imagens editadas da região do acidente ambiental para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) ocorreu em função de dificuldades técnicas para o envio de dados.

Oceanógrafo, Pimenta participou de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Rio. Questionado sobre a questão das imagens, ele afirmou que não houve tentativa de ocultar fatos e que a empresa “trabalhou com total transparência e cooperação com as autoridades”.

No entanto, reconheceu que houve “preservação” de informações. “Nos limitamos a informar o que sabíamos. Procuramos entender primeiro antes de falar ao público. Algumas respostas ainda vão levar algum tempo.” Ao relatar o ocorrido, o supervisor disse que houve um aumento “inesperado” de pressão no poço e que “brotaram gotas” de óleo. Em seguida, acrescentou, foi identificada uma “mancha órfã” no mar.

“O fluxo (de óleo) não era constante. O controle da fonte (de vazamento) ocorreu em quatro dias. Tudo funcionou dentro dos padrões de segurança”, argumentou. Pimenta repetiu a estimativa já divulgada pela empresa de que vazaram 2.400 barris e a comparou, em uma projeção ilustrada, com o vazamento no golfo do México, em 2010, de 4.928.100 barris. Ele se desculpou pelo vazamento, dizendo que “uma gota de óleo no mar já é admissível, e repetiu que a Chevron “assume total responsabilidade pelo incidente”.

Após a audiência, Pimenta disse ter classificado o vazamento como residual no depoimento, porque as “avaliações indicam que o valor está diminuindo a cada dia”, sem apresentar números. “Não especulamos.”

Para o diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe (que congrega os cursos de pós-graduação em Engenharia da UFRJ), Segen Estefen, a explicação técnica foi pertinente, mas, se o vazamento perdurar, deixa de ser residual. “Se ficar dez dias, começa a ficar estranho.”

O oceanógrafo David Zee, perito nomeado pela Polícia Federal no inquérito que apura as causas e os responsáveis pelo vazamento, defendeu na assembleia a realização de uma auditoria ambiental e a revisão dos programas de prevenção e precaução em todos os campos de produção existentes na Bacia de Campos.