Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Suíça repassou dados sobre contas de Henrique Alves ao Brasil

Ele estava sendo investigado por lavagem de dinheiro e corrupção desde 2016; antes de ter dinheiro bloqueado, pode ter transferido parte ao Uruguai e Dubai

Por Da redação Atualizado em 6 jun 2017, 10h15 - Publicado em 6 jun 2017, 10h14

A Suíça repassou a procuradores brasileiros, há um ano, informações sobre as transações de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), preso pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira. O ex-ministro do Turismo do governo de Michel Temer era investigado em Berna, capital do país europeu, desde fevereiro de 2016 pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Mas, segundo informações obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo, antes de ter seu dinheiro bloqueado, ele pode ter conseguido transferir grande parte para o Uruguai e Dubai.

Citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em junho de 2016, Alves enviou uma carta de demissão a Michel Temer em que explicava que não queria criar “constrangimentos” para o então presidente interino. Ele foi o terceiro ministro da gestão a cair. Em sua delação, Sérgio Machado afirma que deu propinas no valor de 1,5 milhão de reais para Alves, entre 2008 e 2014 – parte delas para financiar a campanha de governador do Rio Grande do Norte, três anos atrás.

  • Transferências

    Fontes europeias próximas ao caso confirmaram ao jornal que Alves, num primeiro momento, foi descoberto com uma conta com depósitos que variavam entre 700.000 dólares e um milhão de dólares (entre 2,3 milhões e 3,3 milhões de reais).

    Um mês depois do início da investigação, no entanto, o ex-ministro pode ter transferido o dinheiro para contas no Uruguai e Dubai. A investigação revelou que a empresa Posadas & Vecino, com escritórios em Montevideu e em Genebra, pode ter ajudado na transferência. A empresa chegou a ser citada de forma direta ou indireta em operações de contas abertas pela Odebrecht, ex-diretores da Petrobras e até pelo ex-deputado Eduardo Cunha.

    Segundo a reportagem, o jornal chegou a visitar o endereço oficial que a Posadas & Vecino apresenta em seu site, em Genebra. O local, porém, é apenas uma sala alugada dentro de outro escritório. No registro comercial de Genebra, a empresa aparece com endereço nas Ilhas Virgens Britânicas.

    Investigação na Suíça

    A investigação do ex-ministro começou em Berna, sob a suspeita de que a conta estivesse sendo alimentada por recursos vindos de propinas. Ela seria uma das mais de mil contas relacionadas à Lava Jato bloqueadas pelos suíços em seus bancos locais. Porém, a procuradoria suíça optou, assim como no caso do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), por transferir o caso às autoridades brasileiras. O Ministério Público da Suíça considerou que não faria sentido processar o brasileiro, pois mesmo se ele fosse levado a um julgamento em Berna, jamais conseguiriam sua punição, uma vez que o Brasil não extradita seus nacionais.

    O negociado com os procuradores brasileiros foi, então, transferir o caso para que Alves fosse investigado e julgado no próprio país. Segundo os suíços, a transferência do caso permitiria que a Justiça no Brasil pudesse agir de forma rápida para garantir que as provas e os recursos não fossem perdidos.

    Continua após a publicidade
    Publicidade