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SP: com metrô em greve, trânsito é recorde pela manhã

Metroviários descumprem decisão judicial e cruzam os braços. Duas linhas da CPTM também não operam. Capital tem mais de 200 km de congestionamento

Por Da Redação - 23 maio 2012, 09h02

A quarta-feira começou complicada para os paulistanos, sobretudo para os que dependem de transporte público. Greves paralisam parcialmente o metrô e a CPTM desde a meia-noite. No metrô, funcionam apenas as linhas 5-Lilás e 4-Amarela. A linha 1-Azul opera parcialmente entre as estações Ana Rosa e Luz. A linha 2-Verde opera entre as estações Ana Rosa e Clínicas e a linha 3-Vermelha, entre as estações Bresser e Santa Cecíllia. Não há previsão para que a situação seja normalizada. Uma assembleia dos metroviários está prevista para meio-dia. Segundo o Metrô, a operação está sendo feita somente com funcionários que não aderiram à greve, com apoio do quadro administrativo.

As linhas 11-Coral (Estação da Luz-Estudantes) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana) da CPTM também não funcionam, em razão da greve do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, igualmente decretada nesta terça-feira à noite.

O governador Geraldo Alckmin suspendeu compromissos oficiais por causa da paralisação.

Congestionamento – O trânsito está caótico na capital paulista devido ao aumento da circulação de carros e ônibus. O rodízio de veículos com placas de final 5 e 6 foi suspenso. Já a SPTrans acionou o Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese), ampliando o atendimento de ônibus entre as estações afetadas. Os pontos, porém, estão lotados.

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O congestionamento foi aumentando ao longo da manhã. Às 7h50, já havia 150 quilômetros de lentidão nas vias monitoradas pela CET. Às 9 horas, o congestiomento de 210 quilômetros – 105 quilômetros só na Zona Sul. Menos de meia hora depois, subiu para 221 quilômetros – 108 só na Zona Sul. Os índices bateram, logo cedo, o recorde de congestionamento registrado pela CET este ano no período da manhã, que foi de 168 quilômetros de lentidão em 27 de abril. Às 9h42, o congestionamento chegou a 229 quilômetros, batendo, também, o recorde do ano, que era de 222 quilômetros. Às 10 horas, a lentidão chegou a 249 quilômetros.

O tráfego é congestionado em toda a extensão da Avenida Radial Leste, no sentido centro. Há problemas também na Avenida Bandeirantes. Na Rodovia Presidente Dutra, há lentidão na altura de Guarulhos. Para piorar, houve um acidente pela manhã na Marginal Pinheiros, onde uma carreta tombou.

Protesto – Houve tumulto logo cedo em Itaquera, na Zona Leste. Usuários do metrô que não conseguiram embarcar realizaram um protesto, bloqueando a Radial Leste. A tropa de choque da Polícia Militar está de prontidão no local. Um helicóptero da Polícia Civil monitora possíveis áreas de confronto. Segundo informações da CBN, uma pessoa foi detida por desacato nas proximidades da estação Itaquera. O clima ficou tenso no local no início da manhã e a PM interveio duas vezes para dispersar manifestantes que bloquearam a Avenida Radial Leste e vias próximas. Os manifestantes chegaram a parar um ônibus e fizeram com que os passageiros descessem. Policiais tiveram de usar gás de pimenta e balas de borracha. Não há informações de feridos.

Decisão judicial – A decisão dos metroviários contrariou uma determinação da Justiça, que proibiu a paralisação. Uma audiência de conciliação entre representantes da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e do sindicato da categoria para discutir o reajuste dos trabalhadores foi convocada pela Justiça do Trabalho e aconteceu no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.

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Sem o acordo entre as partes, a desembargadora Anélia Li Chum decidiu que, em caso de greve, os funcionários devem manter 100% do efetivo nos horários de pico (de 5 horas às 9 horas e de 17 horas às 20 horas) e 85% nos demais horários. Em caso de descumprimento, o sindicato terá de pagar multa diária de 100.000 reais. A desembargadora ainda proibiu a liberação das catracas nesta quarta, o que a categoria planejava em protesto contra a negativa da Companhia do Metropolitano de permitir a paralisação.

Reajuste – Apesar de decidida somente na noite desta terça, a greve já estava sendo discutida há alguns dias. Em campanha salarial, os metroviários não aceitaram a proposta de reajuste de 5,71%, mais 1,5% de aumento real, oferecida pela direção da companhia.

Os trabalhadores exigem reajuste salarial de 5,13% e 14,99% de aumento real, além de vale alimentação de 280,45 reais e 23,44% de aumento no vale refeição. A negociação do reajuste foi paralisada na semana passada, quando dois trens se chocaram na linha 3-Vermelha e deixaram ao menos 49 pessoas feridas. O Sindicato dos Metroviários de São Paulo marcou uma nova assembleia para esta quarta-feira, ao meio-dia.

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