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Sócios de boate e músicos ficarão mais 30 dias presos

Prisão temporária que acabaria nesta sexta-feira foi prorrogada pela Justiça a pedido da polícia. Juiz destacou a responsabilidade dos envolvidos na tragédia

A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu a prorrogação da prisão temporária dos dois sócios-proprietários da boate Kiss e de dois músicos da banda Gurizada Fandangueira por mais 30 dias. A polícia havia feito as detenções na segunda-feira para evitar que provas do incêndio na boate, que matou mais de 230 pessoas, fossem alteradas, e testemunhas, corrompidas. O prazo da prisão temporária acabava nesta sexta-feira.

O pedido de prorrogação da prisão foi feito pela polícia e teve o parecer favorável do Ministério Público. De acordo com o juiz plantonista Regis Adil Bertolini, da Comarca de Santa Maria, onde ocorreu a tragédia, o delegado apresentou novas declarações de testemunhas, que indicaram que o comportamento dos quatro envolvidos – os empresários Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Hoffman, o vocalista da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, e o produtor Luciano Augusto Bonilha Leão – pode ter dado causa a homicídio qualificado por asfixia, assumindo o risco de ter causado as mortes.

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Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), na decisão, o magistrado analisa a atuação dos envolvidos na madrugada da tragédia, no último domingo, segundo o relato de testemunhas já ouvidas pela polícia.

Com relação a Mauro Hoffmann, o juiz destacou afirmações de que ele sabia e acompanhava tudo o que se passava no estabelecimento. Sobre Elissandro, uma funcionária relatou que ele tinha pouco cuidado com relação à segurança e ao controle de lotação da casa noturna.

No caso da banda, o juiz destacou na decisão, o depoimento do dono da loja onde foram comprados os sinalizadores que deram início ao incêndio. Ele afirmou ter alertado aos integrantes da banda que o material comprado não era adequado para ambientes internos. Mesmo assim, o produtor utilizava os artefatos em shows, o que levou o juiz a concluir que ele tinha ciência dos riscos. Sobre o vocalista, o juiz destaca a responsabilidade de manusear o sinalizador e de não ter avisado ao público do que ocorria assim que começou o incêndio.