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Sócia da produtora de ‘Dark Horse’ afirma ser alvo de extorsão e fraude processual

Karina Gama diz que crimes se deram na prestação de serviços de uma empresa ao ICB, uma ONG presidida por ela e que tem contrato com a Prefeitura de São Paulo

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 Maio 2026, 17h01 | Atualizado em 19 Maio 2026, 13h51
Sócia da produtora de ‘Dark Horse’ afirma ser alvo de extorsão e fraude processual Priorizar nos meus resultados Google

Sócia da produtora do filme Dark Horse, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a empresária Karina Ferreira Gama acusa um prestador de serviços de praticar crimes como extorsão e fraude processual. A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para apurar o caso.

A acusação, no entanto, gira em torno de outra entidade ligada a Karina, a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) — presidida por ela — e que mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo para a implementação de redes de internet em regiões vulneráveis da cidade. O contrato é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). 

Em boletim de ocorrência, Karina afirma que a empresa Ultra IP foi contratada pelo ICB para instalar e manter links de internet, mas que, durante a execução do contrato, ocorreram “reiterados descumprimentos, inconsistências técnicas e administrativas, apresentação de relatórios incompatíveis com a realidade da execução”, além de “resistência ao atendimento das solicitações de regularização formuladas pelo Instituto”.

No documento protocolado, ela diz que a Ultra IP interrompeu cerca de 800 links de internet, afetando comunidades atendidas pelo programa, com “prejuízo à continuidade do serviço e à população beneficiária”. O acordo com a prefeitura previa um total de 5.000 links de internet.

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Na denúncia à polícia, a empresária também acusa o dono da Ultra IP, William Silva Ferreira, de cobrar 2,5 milhões de reais, por meio de “pressões indiretas, ameaça de exposição midiática, divulgação de informações internas e outros elementos documentais que, segundo sua narrativa, indicariam atuação dolosa e premeditada”.

“Consta, ainda, que a empresa investigada teria adotado condutas destinadas a deslocar a responsabilidade pelos fatos, inclusive mediante ajuizamento de ação de produção antecipada de provas, supostamente com a finalidade de conferir aparência de legitimidade à versão apresentada e influenciar a formação do contexto probatório”, afirma o delegado Nelson de Camargo Rosa, do 78º DP (Jardins), na instauração de inquérito, em 5 de maio.

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Procurado por VEJA, o empresário William Silva Ferreira afirmou não ter ciência do inquérito em andamento, negou as acusações feitas por Karina e disse que, anteriormente, ele havia entrado na Justiça após não ter sido pago pela prestação de serviços ao ICB.

VEJA também entrou em contato com Karina Gama, por meio do Instituto Conhecer Brasil, mas não havia tido retorno até a publicação da reportagem.

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Investigação do MP-SP

No final de janeiro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito para apurar suspeita de irregularidades no contrato de 108 milhões de reais para implantação de pontos de Wi-Fi entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB).

A investigação foi instaurada após denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT), na qual o parlamentar aponta supostos indícios de irregularidades no chamamento público — como a ausência de concorrência –, além de um suposto superfaturamento de mais de 27 milhões no valor do contrato. O inquérito tramita em sigilo na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social.

A Prefeitura de São Paulo afirma que a contratação do Instituto Conhecer Brasil para a instalação de 5.000 pontos do Wi-Fi Livre na cidade foi realizada mediante chamamento público “transparente e sem contestações”. “A organização social cumpriu todas as exigências previstas no edital, e a prestação do serviço segue normalmente”, afirmou a prefeitura. A ONG não se manifestou sobre o contrato.

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Dark Horse

Karina Ferreira Gama também é a única sócia da Go Up Entertainment LTDA, produtora de Dark Horse, longa-metragem que entrou na mira da Polícia Federal. Em áudios da investigação obtidos e divulgados pelo The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece pedindo recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a conclusão do filme.

 

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