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Sobreviventes do massacre na Noruega recordam o horror vivido na ilha de Utoya

Por Cornelius Poppe 20 ago 2011, 12h42

Centenas de sobreviventes recordaram neste sábado como nadaram até a outra margem ou se esconderam no mato em 22 de julho para se salvar do massacre realizado na ilha norueguesa de Utoya pelo extremista de direita Anders Breivik, que matou 69 jovens militantes do Partido Trabalhista.

Segundo a Defesa Civil local, que organizou a visita, 750 pessoas, entre sobreviventes e parentes, manifestaram sua vontade de ir à ilha, fechada à imprensa pela ocasião.

O primeiro-ministro Jens Stoltenberg, que também tomou parte da visita, declarou que passará uma noite no local durante o próxima acampamento de verão em 2012.

No local, um importante dispositivo de segurança foi mobilizado com médicos, psiquiatras, pastores e imãs para atender as pessoas em caso de necessidade.

“Sabia que ia ser um dia muito difícil, mas também sabia que ia servir para encararmos o futuro”, declarou à AFP Adrian Pracon, de 21 anos, um dos mais sobreviventes que optou por voltar este sábado ao local dos fatos.

Emma Martinovic, de 18 anos, pensa a mesma coisa. “Tenho muito temor. Vai ser difícil voltar”, confessou.

“Quisemos voltar para ver o lugar em que nos escondemos”, declarou ao canal de televisão TV2. Ela fugiu da ilha nadando no dia da matança.

Pracon, por sua vez, não conseguiu fugir nadando. Depois de tentar se jogar na água, deu meia volta, pois percebeu que não conseguiria chegar à outra margem.

O jovem viu o autor do massacre em duas oportunidades nesta pequena ilha de 0,12 km2 com forma de coração (como pode ser vista de um avião).

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“Quando voltei à margem, ele estava lá, a cinco ou dez metros de onde eu estava, disparando contra os que tentavam fugir nadando. Ele se virou e apontou a arma para mim”, recordou Pracon.

“Eu estava esgotado e só consegui dizer: ‘não atire’. Ele pensou e foi embora”, acrescentou.

Minutos depois, quase no mesmo lugar, Pracon se encontrou com outros jovens.

“Eu me joguei no chão para fingir de morto. Mas ele disparou para ter certeza que eu estava morto. Acho que apontou para minha cabeça, mas errou e atingiu meu ombro”, contou Adrian, 20 anos.

Anders Behring Breivik confessou ter realizado o duplo ataque, as explosões em Oslo e a matança na ilha, que deixou 77 mortos ao todo. Seu objetivo era realizar uma Cruzada contra o Islã e o multiculturalismo na Europa.

Depois de acionar as bombas em Oslo, disfarçado de policial chegou a Utoya, chamou os jovens reunidos num acampamento do Partido Trabalhista e lhes contou sobre o atentado que ele mesmo acabara de realizar.

Armado com um fuzil semiautomático e uma pistola, começou a disparar aleatoriamente contra os jovens, perseguindo os que tentavam fugir e fuzilando os feridos metódica e tranquilamente, segundo os testemunhos.

Na sexta-feira, a polícia da Noruega pediu o prolongamento por mais quatro semanas do isolamento total de Breivik.

No dia 25 de julho, o mesmo tribunal de Oslo decidiu manter Anders Breivik em prisão provisória por um período (renovável) de oito semanas, as quatro primeiras seriam de isolamento total.

Ele está atualmente detido em uma prisão de alta segurança próxima a Oslo.

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