Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Sobe para 168 número de presos por ataques no Ceará

Especialistas criticam as ações do governo cearense contra facções criminosas

Subiu para 168 o número de pessoas presas e autuadas por suposta participação na onda de ataques que ocorrem na região metropolitana de Fortaleza e no interior do Ceará desde quarta-feira 2. A informação foi divulgada nas redes sociais nesta terça-feira, 8, pelo governador do estado, Camilo Santana (PT).

Do total, ao menos vinte pessoas foram detidas desde o meio-dia de segunda-feira 7. “Outras estão em investigação e poderão ser presas a qualquer momento. Estamos reforçando ainda mais o policiamento na capital e também no interior, com o apoio de tropas federais e estados parceiros”, declarou o governador.

“Já determinei à cúpula da segurança que empregue todos os esforços necessários. Lideranças criminosas estão sendo identificadas e as transferências para presídios federais estão em curso. Não haverá tolerância com o crime.”

No domingo 6, parte dos presos começou a ser transferida do sistema penitenciário cearense para presídios federais, após decisão do governo federal. O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, disse que a onda de ataques é uma resposta à iniciativa do governo estadual de enfrentar o crime organizado dentro de presídios.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), comandado por Sergio Moro, também decidiu enviar reforço da Força Nacional, para atuar na repressão à onda de crimes. Já havia 330 homens no local desde sábado, 5, e o número será ampliado para 406, além de um total de 96 viaturas.

Pelos dados do MJSP, houve 144 ataques entre a quarta-feira 2 e o domingo 6 na capital Fortaleza, na região metropolitana e no interior do estado. Números da segunda-feira não foram informados pelo ministério, mas o governo estadual registrava pelo menos 21 ataques até o meio da tarde.

Especialistas criticam ação do governo no Ceará e sugerem rastreamento do dinheiro das facções

Especialistas das áreas criminal e constitucional criticaram as ações do Estado do Ceará contra as organizações criminosas. “Infelizmente a situação se agrava pela falta de corretas políticas de segurança durante os últimos anos nesses estados. Não se pode combater o crime sem o devido preparo, sem estratégia e com o que há de mais moderno e eficiente. O enfrentamento é consequência disso e não adiantam medidas paliativas. É necessário o combate ostensivo para restabelecer a ordem, mas sobremaneira planejar ações coordenadas e preventivas”, afirma o criminalista Daniel Leon Bialski.

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, os governos municipal, estadual e federal deveriam agir em ações integradas para neutralizar os criminosos. Chemim também defende o rastreamento do dinheiro das facções, para enfraquecê-las, diminuindo seu poder em influência. “Por outro lado, é necessário que se invista na educação, operacionalizando ações voltadas ao efetivo acesso das comunidades carentes ao ensino e ao mesmo tempo criar mecanismos que possibilitem a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho”, completou a advogada.

O advogado criminalista e constitucionalista Adib Abdouni criticou o envio repetido da Força Nacional a estados com crise de segurança. “Isso resulta de uma precária ação política, a fim de responder de forma instantânea ao clamor da sociedade e da imprensa, cujos efeitos ostentam evidente efeito meramente paliativo”, criticou Abdouni. “O momento exige a adoção urgente de medidas que modernizem o aparelho estatal e tornem a gestão do serviço público mais eficiente, com aporte definitivo de investimentos em tecnologia e inteligência das forças policiais, mediante a integração e cooperação das polícias dos estados, melhoramento das unidades prisionais, além da informatização unificada dos dados sobre a população penitenciária.” (com Estadão Conteúdo)