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Só Gil Rugai tinha motivos para matar o pai, afirma promotor

Defesa, por sua vez, chamou de "contestáveis" os argumentos da promotoria, que acusa o jovem de matar o pai e a madrasta em 2004; sentença sai hoje

O último dia de julgamento de Gil Rugai começou nesta manhã com a sustentação oral da acusação, que afirmou que o réu era a única pessoa com motivos para assassinar o pai, Luís Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra Troitino. Para o promotor Rogério Zagallo, as outras linhas de investigação apontadas pela defesa, como a relação das mortes com o tráfico de drogas ou o envolvimento de um ex-funcionário da empresa da vítima, não podem ser aceitas. “Não há outra pessoa que pudesse desejar a morte [do casal]. Ele disse [a uma empregado da empresa] ‘eu seria mais feliz se meu pai morresse'”, afirmou Zagallo.

A acusação tentou reforçar as provas de que Rugai estava na casa do pai, onde ocorreram os assassinatos, no dia e hora do crime – por volta das 21h30 de 28 de março de 2004. O promotor leu o depoimento de três testemunhas, vizinhas do casal, que ouviram as séries de disparos nesse horário quando estava em casa conectadas à internet. Essas pessoas, segundo Zagallo, tinham “parâmetros objetivos” para precisar o momento do crime. A acusação também se sustenta no depoimento de um vigia que disse ter visto Gil Rugai sair do local do crime.

Gil Rugai apresentou um álibi de que havia saído para jantar com uma amiga depois das 22h10. A defesa usou como prova uma ligação feita da agência de Rugai, a KTM Comunicação, localizada nos Jardins – a casa das vítimas ficava em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. Segundo a acusação, o réu matou o casal e teve tempo para ir até a empresa dar o telefonema a amiga.

Para convencer os jurados de que Gil Rugai tem uma personalidade agressiva, o promotor citou trechos de depoimentos de pessoa ouvidas pela polícia. Um garçom disse que a sua namorada apanhou de Rugai com uma garrafa, pois o acusado tinha “uma paixão platônica por ele”. Ela teria visto luvas cirúrgicas com réu, que teria respondido: “É para matar namoradas inconvenientes”.

O acusado, ainda segundo esse garçom, teria pago 50 reais a um funcionário do restaurante para colocar 25 gramas de maconha em seu armário. Um funcionário da empresa de Luís Carlos, disse que Rugai havia se referia ao pai como “fedido”.

Defesa – A defesa de Gil Rugai, por sua vez, chamou de “contestáveis” os quatro pilares que sustentam a acusação da promotoria: a briga de Gil Rugai com o pai; o depoimento do vigia que disse ter visto o réu saindo da cena crime; uma pegada na porta da casa da vítima, que seria do réu, e uma pistola encontrada em uma caixa de captação pluvial na empresa do suspeito. “Só essas premissas, reunidas e inabaláveis, indicariam a culpa de Gil? E eu me pergunto: esses pilares são concretos, são incontestáveis?”, questionou o advogado Thiago Anastácio.

Os advogados de Rugai também insistiram que o crime aconteceu às 22h14, quarenta minutos depois do que sustenta a promotoria. Nessa hora, segundo a defesa, Gil estava em seu escritório, nos Jardins, a 4,5 quilômetros do local do crime.

Sentença – Terminadas as sustentações orais de acusação e defesa, os jurados terão de responder a oito perguntas, uma série de quatro questões idênticas para cada vítima. A primeira é para confirmar se houve a morte do pai e da madrasta com tiros de arma de fogo. A segunda, se o acusado, acompanhado de outra pessoa desconhecida, deu os disparos contra as vítimas. A terceira pergunta é se os jurados absolvem o réu. O último item questiona “se o crime foi cometido por motivo torpe, em razão de o réu ter sido afastado da participação dos negócios da vítima, não se conformando com tal situação”.

Ao responderem essas perguntas, os jurados darão seu veredito sobre o caso e decidirão se Gil Rugai sairá do Fórum da Barra Funda um homem livre ou condenado pelo assassinato do próprio pai.

Atualizada às 15h40