Senador pede sessão extraordinária para acompanhar análise de relatório sobre relações entre Moraes e Vorcaro
Pedido de Alessandro Vieira ocorre em meio a uma sucessão de decisões judiciais que se sobrepuseram nos últimos dias
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou um requerimento para a realização de sessão extraordinária do Senado no dia 15 de setembro, às 10 horas, mesmo horário em que o Plenário do STF está convocado para deliberar sobre os desdobramentos do caso Banco Master.
O pedido ocorre em meio a uma sucessão de decisões judiciais que se sobrepuseram nos últimos dias. Desde a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, e a prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, o caso avançou até atingir a cúpula do Judiciário.
Relatório da Polícia Federal levou o ministro Dias Toffoli a se afastar da relatoria em fevereiro deste ano, e outro relatório, divulgado em 1º de setembro, apontou possível relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do banco.
A divulgação desencadeou uma disputa entre ministros do STF. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório, enquanto Moraes solicitou a apuração da conduta do ministro André Mendonça, relator do caso.
O ministro Edson Fachin, presidente do STF, reuniu os documentos e pedidos em processo de sua relatoria, com prazo de manifestação até 11 de setembro. Antes do vencimento do prazo, em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino reconduziu os dois dirigentes aos cargos, decisão por sua vez suspensa, horas depois, pelo presidente do STF, que manteve os dois no cargo por força de liminar própria.
Na mesma data, o presidente da Corte também suspendeu o trâmite da ação sob relatoria de Mendonça, sobrestou as apurações em curso contra integrantes do STF, avocou à própria relatoria a petição em que vieram a público as conversas entre Moraes e o investigado e revogou a portaria de 2019 que designara Moraes relator do Inquérito das Fake News, preservando apenas as ações penais já com denúncia recebida.
Ao justificar as medidas, apontou risco de grave lesão à ordem pública e convocou a sessão do dia 15 de setembro, na qual o Plenário vai deliberar sobre a validade do relatório da Polícia Federal, sobre a autorização para investigar integrante da Corte e sobre a legalidade da atuação do ministro que a provocou.







