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Senado aprova MP que trata dos médicos residentes

Por Rosa Costa

Brasília – Com o voto contrário dos senadores da oposição quanto à admissibilidade e favorável quanto ao mérito, o Senado aprovou hoje o projeto de conversão à medida provisória 536, que trata da atividade de médico residente e das contribuições a serem pagas aos conselhos profissionais. O líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), no entanto, entende que a MP é inconstitucional. Ele argumenta que o assunto já foi tratado este ano por outra Medida Provisória, que não chegou a ser votada no Senado porque seu prazo de validade extrapolou.

A Constituição impede a edição de MPs com o mesmo teor num único ano. O relator, senador Wilson Santiago (PMDB-PB), alegou que a MP anterior foi editada no ano passado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto que a MP de agora é de iniciativa da presidente Dilma Rousseff.

A MP reajustou o valor da bolsa paga aos médicos residentes de R$ 1.916,45 para R$ 2.384,82, com efeito a partir de junho deste ano. O benefício se estende aos residentes das demais profissões da saúde, como psicólogos, enfermeiros e nutricionistas, com jornada de 60 horas semanais. De acordo com a proposta, a instituição de saúde responsável pelos programas de residência deve oferecer aos alunos moradia, alimentação e condições adequadas para higiene e descanso.

Os senadores Cyro Miranda (PSDB-GO) e Álvaro Dias (PSDB-PR) protestaram contra o uso de MPs para tratar de um assunto que eles tentaram normatizar por intermédio de um projeto de lei. O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), lembrou que a atividade dos médicos residentes tem “muita importância” para o Sistema Único de Saúde (SUS). O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) ironizou o fato de o governo ter “uma maioria enorme, oceânica” e, ainda assim, ter de recorrer a MPs para legislar.